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GREXIT E PORTUGAL

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O exit da Grécia do Euro, Grexit, é um tema cada vez mais recorrente nos mercados internacionais. Neste momento uma larga maioria de observadores internacionais coloca uma probabilidade superior a 50% disto acontecer. Mas se perguntarmos qual a probabilidade da Grécia pagar a sua dívida e não existir um segundo default aí eu diria que nos aproximamos da unanimidade quanto a esta eventualidade. Mesmo ficando no EURO, sejamos claros, a Grécia não tem condição de pagar.

Neste sentido é muito importante considerar o impacto profundamente assimétrico das dívidas públicas e privadas na Grécia. Já notei várias vezes neste Blog que a exposição de Portugal à Grécia é extremamente elevada fruto essencialmente da exposição do BCP ao seu banco local que teimosamente Carlos Santos Ferreira quis manter.

Isto mesmo notou o prestigiado Professor Daniel Gros num estudo desta semana que salienta o seguinte: A exposição total da Alemanha à Grécia é de € 99BN ou seja 3.9% do PIB Alemão, por sua vez a da França é de € 101BN ou seja 5.1% do respetivo PIB. Em Portugal esta exposição é de € 12BN ou seja 6.8% do PIB.

No entanto, enquanto na Alemanha esta exposição é essencialmente em dívida “oficial” claramente sénior sobre a dívida privada. No caso da França, mas sobretudo de Portugal, predomina a dívida privada muito mais exposta a “hair-cut”. Assim para um cenário “post hair-cut” o impacto fiscal do Grexit na Alemanha seria de € 7.2BN ou seja 0.3% do PIB, na França seria de € 42.2BN ou 2.1% do PIB mas em Portugal seria de € 9.3BN ou 5.4% do PIB. Incluídos nestes € 9.3BN estaria uma perca total de € 4.8BN (75% dos € 6.3BN) atribuíveis ao BCP.

Por tudo isto, parece-me que a atual ronda de recapitalização do BCP não será a última como provavelmente não será no BES e no BANIF.

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