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O Príncipe do Bullshit

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Quando José Maria Ricciardi estava a dar uma entrevista a Isabel Vicente do Expresso na 4ª feira passada três aspetos se salientaram. O primeiro e bem menor foi o tom subserviente dos entrevistadores – afinal entrevistavam não menos do que um Príncipe das Finanças. O segundo aspeto foi, mais uma vez, a lição de moral dada a todo o sistema financeiro. José Maria sentia vergonha pelo que alguns (supõe-se que outros que não ele ou o BES) bancos e banqueiros fariam para manchar a pura reputação dos verdadeiros. Mas, inacreditavelmente, nessa mesma hora da entrevista estava o DCIAP e a PJ a programar as buscas que vieram a realizar na 6ª feira no BES por suspeitarem de ilícitos criminais nas privatizações da EDP e REN.

A coincidência das três circunstancias parece surreal e parece sugerir mesmo que nos dias de hoje mais vale estar calado do que dar lições de vergonha a outros manifestando a maior desvergonha.

De facto nos dias de hoje não há representante do Mundo financeiro e diria mesmo dos Reguladores financeiros que possa dar lições de moral a quem quer que seja. Veja-se, por exemplo, o último e um dos mais lamentáveis exemplos onde executivos de vários Bancos de primeira linha (a começar pelo Barclays) conspiraram – com o claro conhecimento do Banco de Inglaterra – para manipularem as taxas LIBOR para níveis que lhes interessavam em vez de níveis genuínos de mercado.

Com estas práticas defraudaram milhares de intermediários financeiros e através destes milhões de investidores em quantias astronómicas. Foi publicada recentemente uma estimativa de € 24 BN como montante indemnizatório que estes Bancos teriam que pagar em danos e coimas mas ninguém sabe verdadeiramente quanto vai ser.

Tudo visto e somado, em matéria de lições de moral, tenho a certeza que ninguém no Mundo financeiro, infelizmente, as pode dar sendo melhor que cada um assuma os seus erros e responsabilidades e contribua para as correções necessárias deixando as lições de moral para quem as possa dar.

 

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