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As Almofadas da Gago

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A apresentação de resultados do BPI serviu para um habitual show de gritar sobre tudo o resto e falar o menos possível do BPI.

Assim, o BPI teve o extraordinário resultado de € 85M incluindo um resultado extraordinário de € 100M fruto da menos-valia que os seus investidores tiveram em obrigações BPI e outros € 40M em ganhos extraordinários diversos.

Por outras palavras, sem estes ganhos extraordinários obtidos à conta dos seus próprios investidores, o BPI teria tido um resultado negativo de cerca de € 60M. Nada de dramático, sobretudo se considerarmos o melhor item dos resultados que foi a considerável descida de custos em 15% – mas um resultado operacional negativo não é um resultado positivo. Qualquer peça jornalística de qualidade teria que deixar isto em claro.

No entanto para a jornalista Maria João Gago do Negócios nada disto conta. O importante é o aumento das “almofadas” para riscos de crédito.

O termo “almofadas” é, aliás, um termo recorrente nos escritos de Gago. Mas é um termo curiosamente muito perigoso. Imaginemos que na cabeça de Gago significa um item contabilístico que é uma reserva oculta. Se for uma reserva oculta poderá sempre haver lugar a um questionamento da “transparência” das contas e no limite a “falsificação” de contas pois, por exemplo, essa reserva oculta pode ser uma forma de diminuir a fatura fiscal.

Seria portanto do mais elementar profissionalismo Gago perguntar na conferência de imprensa sobre a natureza dessa “almofada”. É um item reversível? É uma provisão genuína que tem a ver com as naturais imparidades num ciclo económico negativo? É uma provisão pro-cíclica? É uma forma de planeamento fiscal? Enfim, um item tão relevante nas contas exigiria certamente algumas perguntas sobre a sua natureza e implicações.

Mas não, para Gago é uma “almofada”.

Para mim a resposta é óbvia. Aquele provisionamento não é nenhuma “almofada” mas sim um item permanente para créditos incobráveis aliás ainda insuficiente – nas palavras cifradas de Ulrich – não obstante o progresso assinalável.

É com este “jornalismo” económico que continuaremos a “dormir”.

 

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