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A Recapitalização do BANIF

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Finalmente foi anunciada a recapitalização do BANIF ou melhor dito a sua nacionalização.

Os termos da recapitalização envolvem umas entradas e saídas de fundos pouco evidentes, parecendo mais que se pretendeu confundir do que esclarecer.

Assim, em 31 de Dezembro de 2012 terão entrado no BANIF € 700 M em ações preferentes com taxa de 10% e € 400 M de CoCos com taxa de 9.5%. Em consequência o Estado ficou dono de 99.9% do BANIF.

Por outro lado até Junho deste ano de 2013 o BANIF terá que fazer um aumento de capital de € 450 M, aparentemente em 4 tranches das quais uma de € 100 M já teria sido assegurada pelos atuais acionistas. Em consequência o Estado verá assim – se a operação se concretizar – a sua posição acionista diluída para cerca de 60% (mas direitos de voto de 49,9%).

Por outro lado, está previsto o resgate dos CoCos no seguinte calendário: € 150 M em Junho 2013; € 125 M em Dezembro 2013 e os finais € 125 M em Dezembro de 2014.

Finalmente, se tudo correr bem, o Estado sairá do capital do BANIF em 2017, € 154 M por recompra de títulos e € 546 M em operação de reprivatização.

Para além destas condições financeiras os ex-acionistas ficaram sujeitos a algumas condições especiais, como a retenção dos seus depósitos no BANIF.

Por sua vez o apport de fundos será investido em dívida pública por forma a contragarantir os existentes empréstimos € 1175 M de dívida com garantia do Estado.

O custo financeiro desta operação para o BANIF é elevado: cerca de € 80 M por ano. Ainda mais se considerarmos que investirão em dívida pública com remuneração inferior a 10%.

Certamente o Business Plan do BANIF preparado por Jorge Tomé e a sua equipa tomou em consideração todos estes custos e partiu de uma avaliação realista do Banco, pois teve todo o tempo e condições para a fazer. Por mim diria que tudo se jogará na recuperação ou não da economia portuguesa no cenário pós-troika.

O BANIF tem a sua carteira de crédito em quase 90% concentrado em PME. Se a economia recuperar o ciclo de imparidades estagnará e admito que o Business Plan funcione. Doutro modo, dificilmente o BANIF ficará como instituição independente e Jorge Tomé terá que explicar porque falhou na utilização de dinheiros públicos.

 

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