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O regresso de José Socrates

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O regresso de José Sócrates ao centro convivial da sociedade portuguesa foi celebrado com júbilo pelos muitos párias e candidatos a párias societais no populismo pós-moderno em Portugal.

Pois se um ex-Primeiro Ministro responsável pela insolvência de um pequeno país do euro pôde receber um empréstimo do seu Banco público para ir estudar para Paris e depois ser objeto de um convite da estação do Estado para comentário político semanal, como não poderão outros párias e candidatos a párias imaginar – se na Presidência do Benfica ou da Caixa Geral de Depósitos?

De facto, o regresso do “animal feroz” – numa terra de cobardes – assustou pessoas como Miguel Sousa Tavares que se acagaçaram mesmo com a impressionante audiência do ex-PM, concorrente de peso no lucrativo mercado da opinião publicada.

Classificada de “brilhante” por Mário Soares e de “Vale e Azevedo da política” por Eduardo Catroga o Editorial do Expresso classifica o regresso de Sócrates como “Um regresso para ajudar à confusão total”.

Os meios socialistas espanhóis – tanto apreciados por Sócrates – viram este regresso como ridículo e ninguém imaginaria em Londres que a “alma mater” de Sócrates – Tony Blair – aceitasse um compromisso para fazer comentário político na BBC. Já agora ninguém imaginaria possível que a BBC pudesse fazer um tal convite ou um Banco público inglês fizesse um empréstimo bancário a um ex-PM. Por sua vez, o ELPAIS comentou com horror que José Luiz Rodrigues Zapatero pudesse alguma vez dar um passo semelhante.

Pergunta-se então qual o objetivo de serviço público na prestação televisiva e no futuro comentário político do ex-PM?

Será que Sócrates quer frutificar o seu período de estudos em Paris e esclarecer os portugueses com o rigor dos factos?

Não foi o que sucedeu nesta sua primeira amostra televisiva a avaliar por um dos subtítulos do Expresso – “Os dados falsos, verdadeiros e assim-assim que Sócrates levou para a entrevista”.Aliás, esta combinação de mentiras e meias-verdades típica de políticos habilidosos foi o balanço recorrente feito pela maioria dos media quanto a esta prestação.

Não obstante, igual esmagadora maioria de comentadores considerou eficaz a prestação televisiva de Sócrates e mesmo propiciadora de uma alteração qualitativa no debate político em Portugal.

De facto, Sócrates coloca na defensiva as acertadas narrativas que o responsabilizavam pela insolvência do Estado, tenta ajustar contas com o Presidente que na verdade o despediu, influencia a agenda política e protege os seus “compagnons de route” no PS em próximas Administrações.

É uma agenda – como se diria em França – honesta, mas que recoloca o país em 2011. Sócrates, revisita-nos para ser mais um fator de confusão e divisão, ainda por cima recentrado politicamente mais à esquerda.

Assume um papel de ator político “puro e duro” secundarizando um perfil “senatorial” mais apropriado para um ex-PM supostamente sem ambições políticas. Não se estranhe assim que Sócrates se veja – ainda mais – envolto em jogadas político/judiciais/mediáticas de origem obscura procurando atingir quem supostamente tem poder ou influência.

Infelizmente, Sócrates até poderá ter estudado muito em Paris mas, de facto, não aprendeu nada. Porque nas Escolas Técnicas como nas Universidades ensinam-se muitas coisas mas ainda se não descobriu o elixir do “bom-senso”.

 

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