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Costa Pina, os Swaps e os “Tail Risks”

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O ex-secretário do Tesouro de Sócrates e Teixeira dos Santos é, já se percebeu, o principal responsável político pelos swaps que resultaram em gigantesco prejuízo para o Estado português.

Não obstante, a máquina de propaganda socrática, ainda altamente eficaz, tenta desviar as atenções e assobiar para o lado. A culpa afinal é de Maria Luís Albuquerque a quem o problema aterrou ou, mais recentemente, de Pais Jorge, por ter trabalhado no Citibank.

A eficácia da campanha de mistificação é tal que eu próprio teria que fazer uma investigação mais aprofundada se quisesse saber, afinal, qual o montante do prejuízo nestes swaps do setor público.

Não é por acaso que se desenvolve esta campanha de brutal branqueamento de responsabilidades. Para além da dimensão da responsabilidade político- partidária, está em curso uma investigação do Ministério Público para apuramento de eventual responsabilidade criminal e todos sabemos como o debate nos media “posiciona” os postulados das investigações.

Mas os gigantescos prejuízos nos swaps públicos são fruto de incompetência ou má-fé? Será que Costa Pina, os Presidentes das EPs ou os seus diretores financeiros eram todos um bando de incompetentes e criminosos e os executivos dos Bancos que venderam os produtos, igualmente?

A verdade é que nesta época houve centenas para não dizer milhares de entidades que compraram estes swaps. Fizeram-no baseados numa perspectiva de risco/retorno de probabilidade normalizada, ou dito de forma simples na suposição de condições normais de mercado.

Infelizmente, as condições prevalecentes nos mercados financeiros desde meados de 2008 são tudo menos “normais”. O que prevalece são as condições dos extremos da curva de normal probabilidade – os chamados “tail risks”, muito difíceis de calcular e prever mesmo para os mais experimentados.

Foi assim que tanta gente da mais alta qualificação se equivocou claramente e fez figura de parvo. Só que ninguém assume a responsabilidade deste grande equívoco – certamente involuntário, mas gigantesco equívoco.

Porque será que Sócrates, Teixeira dos Santos e Costa Pina não assumem que se equivocaram? Porque será que não assumem as suas responsabilidades?

Outra questão é saber se este equívoco é criminoso.

No meu entender não é.

O decisor público – na verdade qualquer decisor, tem que ter liberdade para o erro. Todas as decisões têm margem de erro. Penalizar quem erra é dar incentivos à sociedade e aos seus agentes para evitar decisões com margem de erro.

É dizer aos empreendedores que não assumam riscos ao criar emprego porque se algo correr mal serão logo apelidados de criminosos. É dizer a qualquer agente da função pública que não saia da “chapa 8” pois se algo correr mal não terá qualquer rede de segurança.

Uma sociedade que não admite o erro não terá crescimento económico e emprego.

 

  1. Mais ou menos, mais ou menos, e a transferência da Pasta também foi feita aos trambolhões, e recordo-me que a actual Ministra das Finanças nos primeiros 3 meses de Governo, tinha muito pouco tempo para almoçar, tal não era a constância das reuniões que o Governo tinha com toda a gente e quer obrigatoriamente tinham que ter.

  2. Caçador de patos says:

    Boa tarde,

    O senhor sabe perfeitamente que o Estado/Governo não consegue nem pode controlar tudo o que se passa nas empresas públicas, não tem grandes instrumentos para o fazer, nas empresas públicas existem mais instrumentos de controlo mas mas mesmo assim acontece cada uma às vezes…. Portanto colocar a culpa toda em cima do Socrates a meu vêr é errado ou acha que o socrates podia controlar e tinha conhecimento de tudo o que se passava nas empresas públicas? Não se esqueça que muitos gestores/directores que estavam nessas empresas públicas na era do Socrates são PSD e alguns neste momento pertencem actualmente ao governo, alguns já pediram a demissão por causa dos Swaps.

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