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A dívida pública portuguesa e as insolvências

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A já muito comentada última decisão de Vítor Gaspar de fazer o Fundo de Estabilização da Segurança Social comprar mais € 4 BN de dívida pública portuguesa, chama à atenção das “pescadinhas de rabo na boca” em que Portugal e os portugueses estão mergulhados e donde dificilmente sairão.

A elevadíssima componente de dívida pública portuguesa na carteira de investimentos da segurança social, significa obviamente que qualquer incumprimento, alongamento ou o que se lhe quiser chamar, tem impacto imediato na solvência da segurança social.

É por isso que quando alguns meios políticos – sobretudo de esquerda – apelam à renegociação da dívida, espero que ao menos tenham presente que isso significa a imediata insolvência da segurança social.

Mas não é só infelizmente a segurança social que está carregada até ao pescoço de dívida pública. Os Bancos portugueses também estão e aqui espanta a participação ativa do Banco de Portugal.

A crise bancária europeia de 2008 e que ainda hoje não está resolvida, foi em larga medida um “boomerang” de desvalorizações recíprocas e sucessivas da dívida pública e da dívida bancária. Quebrar este “loop” seria decisivo para que os default soberanos não impactassem nos balanços dos bancos.

Em Portugal, o bom senso ditaria que os bancos – como o BPI por exemplo – que foram apanhados com as “calças na mão” carregados de dívida pública, agora se distanciassem de um ativo claramente tóxico.

Mas não, o Banco de Portugal aceitou com os CoCos fossem investidos em dívida pública e além disso os próprios bancos têm investido fortemente – et pour cause – no financiamento do Estado português.

A dívida pública portuguesa em percentagem do PIB (contabilizada oficialmente) já se aproxima dos 140%. Os juros anuais (apesar de muito baixos em taxa) aproximam-se dos 6% do PIB. Parece uma evidência, que convém negar nos corredores ministeriais, que a dívida pública portuguesa não poderá ser paga.

Como se não bastasse o “loop” no balanço dos Bancos sucede que o próprio FGD – Fundo de Garantia de Depósitos (fundo autónomo que supostamente pagaria os depósitos até € 100.000), tem as suas reservas fortemente investidas em dívida pública portuguesa.

A dívida pública portuguesa em percentagem do PIB (contabilizada oficialmente) já se aproxima dos 140%. Os juros anuais (apesar de muito baixos em taxa) aproximam-se dos 6% do PIB. Parece uma evidência, que convém negar nos corredores ministeriais, que a dívida pública portuguesa não poderá ser paga.

Dirão alguns ingénuos que se podem estender os prazos. Mas a extensão do prazo não muda o montante a pagar.

Dirão outros que se baixa a taxa de juro. Isso significaria sem dúvida um corte no montante da dívida, mas da dívida que também é detida domesticamente pela segurança social e pelos bancos.

Dirão ainda outros que se faz o “hair cut” como na Grécia. Certamente aí o montante a pagar baixa drasticamente. Aqui o impacto nos “holders” domésticos seria brutal.

De novo, o tal “loop” desastroso que mencionei.

É por isto que todos os esforços deveriam ser direcionados para o mais rápido estancar do crescimento da dívida, nomeadamente do déficit anual do Estado. A soma anual de mais uns 5% do PIB em dívida pública adicional ao stock dos 140% existentes é a melhor receita para a generalizada insolvência – pública e privada.

 

  1. Bom artigo mas só se esqueceu de dizer que foi este governo que conseguiu a grande vitória ( todos os outros partidos foram sempre contra por ser uma má medida) de transferir os fundos de pensões da banca para a segurança social e CGA ( BPN), mantendo os direitos dos ex bancários, ao contrário de todos os outros pensionistas, à indexação salarial, subsidio de férias e de natal por inteiro etc, tudo isto a troco de 5 mil milhões para combater o defice público…. Agora começa a vêr-se que esta medida foi um erro colossal, começa a criar um buraco colossal nas contas públicas da Segurança Social então o victor Gaspar/passos coelho conscientes disso fizeram com que a Segurança Social comprasse divida do Estado para tapar o buraco?… Claro ninguém fala nisso… Por sua vez os bancos livraram-se deste cancro das pensões , e tornaram-se os maiores detentores de divida pública… Divida pública essa que não pára de aumentar e cada vez menos há hipotesses de ser paga, os prazos podem ser renegociados mas isso só vai trazer mais desgraça….Os bancos sofrem mas como já se livraram de um cancro poderão a longo prazo receberem o montante investido na divida mesmo que o prazo seja alargado mas o Estado não vai conseguir pagar a todos… A segurança Social vai sofrer grandes cortes nas pensões e duros golpes na renegociação da detenção de divida para que haja manobra para o Estado pagar aos bancos, cancro esse que o proprio estado ajudou a criar com medidas deste calibre….Já viu a pescadinha do rabo da boca?

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