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Sim ao retorno absoluto do BPP

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Realiza-se hoje em Santarém a Assembleia Geral de participantes do Fundo Especial de Investimento (FEI) que integrou as aplicações do retorno absoluto do BPP.

Muitos clientes do BPP têm-me perguntado se devem aprovar ou rejeitar a ideia de prorrogar o FEI por mais dois anos. Evidentemente, cada caso de participante é caso distinto, nas suas condições de necessidade de liquidez para satisfação das responsabilidades familiares, no indubitável trauma psicológico sofrido apelando a uma solução mais imediata, ou pela preferência – perfeitamente aceitável – do certo face ao incerto ou “quase certo”. Os participantes que necessitem de liquidez ou que para isso tendam, fruto do trauma dos infelizes acontecimentos ou da natural aversão ao risco, votarão contra a continuação do FEI, recebendo assim as suas poupanças. Não obstante, uma esmagadora maioria, no meu entendimento, votará SIM à prorrogação do FEI, continuando assim a investir nesta estratégia de investimento.

Passo a explicar porquê.

O BPP transferiu para o FEI títulos que, no seu valor nominal de investimento, amontavam a € 1 207 151 391. Fruto da brutal desvalorização dos ativos em virtude da crise financeira de 2008 e da política de determinação do preço de mercado na altura, estes títulos transferidos pelo BPP para o FEI foram valorizados em março de 2010 (capital e juros acumulados até então) em cerca de € 550 000 000 e a diferença – outros cerca de € 550 000 000 – constituísse como um crédito sobre a massa insolvente do BPP. A visível recuperação dos mercados financeiros nos últimos dois anos e a amortização de muitos títulos fazem esclarecer a realidade das coisas: o FEI continua a valer praticamente o valor inicial, APESAR DAS FORTES DISTRIBUIÇÕES JÁ FEITAS. O potencial inerente no FEI na convergência dos títulos para o seu valor nominal continua muito forte.

Em agosto de 2013 a totalidade dos clientes de RA do BPP, participantes no FEI, tinham recuperado 85% das suas aplicações originais no BPP no montante (com juros até março de 2010) de € 1 125 770 380.Esta recuperação media total de 85% constitui-se de três parcelas: valor das unidades do FEI em agosto de 2013 de € 524 600 000; distribuições do FEI até agosto de 2013 de € 239 200 000 e pagamentos do SII/FGD de € 183 000 000.

No entanto, esta média total é muito assimétrica pois como os pagamentos do SII foram feitos por titular, uma percentagem muito elevada de clientes – que estimo na ordem dos 70% – estará neste momento num ponto de recuperação dos seus capitais nos 100% ou até bastante mais. Incidentalmente, um dia se escrevera sobre como foi possível encontrar uma solução portuguesa para uma insolvência onde os lesados obtiveram mais do que o seu investimento inicial e juros.

Isto mesmo se verá em março de 2014, quando o Estado cumprir a sua garantia de capital para cada titular do FEI até € 250 000. Na minha avaliação o custo para o Estado desta “garantia” será próximo do ZERO, assim se esclarecendo a monumental mistificação criada à volta do chamado caso BPP.

Mas então, os clientes que tenham necessidade de liquidez ou absoluta aversão ao risco têm certamente uma excelente oportunidade de acertar contas, através das distribuições do FEI ou, no limite, da garantia do Estado de € 250 000 por titular (isto é, por exemplo, uma família com 4 titulares tem uma garantia de capital de € 1 000 000).

Os clientes de maior dimensão (digamos superior a € 2 000 000), fruto do mecanismo assimétrico de distribuição do SII, estão com um grau de recuperação inferior a 85% e é, sobretudo para estes, que se coloca a questão de saber se o FEI tem potencial de recuperação futura. Evidentemente, a mesma questão se coloca para os clientes que já recuperaram o seu capital mas se interrogam se o (tão vilipendiado) FEI não será, afinal, o melhor parque para estas suas poupanças.

No meu entendimento a resposta é SIM e passo a explicar.

Desde a sua constituição em março de 2010 e até agosto de 2013, o FEI teve um desempenho notável com uma taxa de rentabilidade anualizada de 11,34% e acumulada de 43,06%. Nunca na história da Finança Internacional um gestor que não fez nada teve resultados tão extraordinários. Mas a questão que se coloca é, se um gestor que vai continuar a não fazer nada – neste fundo “passivo” – pode continuar a criar valor face a alternativas.

Dois fatores são relevantes para o meu SIM.

O primeiro tem a ver com a decisão judicial final sobre o depósito de € 100 000 000 na CGD. A segunda questão tem a ver com o desempenho do próprio FEI.

De acordo com informações da sociedade gestora BANIF, nos próximos 2 anos o FEI terá uma apreciável libertação de liquidez de cerca de €135 000 000, ou seja cerca de 25% do seu total. E a taxa de rentabilidade anual estimada será da ordem dos 7,2%, num risco bem melhor do que a República Portuguesa que nos 10 anos apresenta um retorno anual de 6,6%.

Não será fácil encontrar melhor alternativa de risco/retorno.

 

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