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O Retorno Absoluto do BPP: Um Caso Real

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Os clientes do RA do BPP, tal como eu previ, votaram numa grande maioria pela continuação do FEI. Segundo um comunicado da sociedade gestora BANIF mais de 75% dos clientes optaram por continuar. Mas acredito que este percentual será bem superior, pois há notícia de que um elevado número de clientes que votaram contra a continuação do FEI na AG de participantes, mudaram posteriormente de opinião. Não tendo confirmado nos dez dias posteriores à AG essa intenção acabaram por decidir implicitamente continuar no FEI.

O BANIF publicitará, em breve, os números finais mas não me surpreenderia que mais de 85% dos clientes queiram, afinal, continuar no FEI. Não é possível maior voto de confiança para um conjunto de ativos escolhidos na sua maioria pelo BPP em – imagine-se – 2007.

Como já disse muitos clientes procuraram a minha opinião e em virtude disso pude também ter noção exata dos fluxos financeiros que aconteceram no FEI nos últimos 3,5 anos. Para se entender melhor toda a questão vou partilhar um caso real, salvaguardando a identidade bem entendido. Um caso que me parece bem típico do RA do BPP: um casal com dois filhos (i. e. 4 titulares).

Esta família investiu no RA do BPP € 230939, 78.

Recebeu em unidades do FEI € 120893 ou seja 52,34% do seu investimento. Na altura muitos pensaram que esta tinha sido a dimensão da catástrofe, isto é, tinham perdido praticamente metade das suas poupanças… E sabia-se lá qual a evolução do FEI tal a desconfiança gerada.

No entanto, desde março de 2010 e até outubro de 2013 o FEI já efetivou 17 distribuições. Esta família, em concreto, já recebeu € 55 098,73 em dinheiro, ou seja, 23.85% do seu investimento e na verdade continua a ter as mesmas unidades do FEI, com praticamente o mesmo valor nominal.

Isto é, nesta altura só em termos de FEI esta família recuperou 76% do seu investimento. Percentual, aliás, igual para todos os investidores de RA do BPP.

No entanto, os investidores do FEI tiveram acesso a duas outras distribuições: o Fundo de Garantia de Depósitos que distribuiu cerca de 6,3% do investimento ou seja, no caso desta família € 14 667,56; e ainda o SII que distribuiu € 25 000 por titular, ou seja, € 100 000 para os 4 titulares desta família.

Em resumo, em outubro de 2013 esta família já recebeu em dinheiro € 169 766,29 ou seja 73.5% do seu investimento, mantendo evidentemente as originais unidades o FEI valendo o valor nominal.

Em março de 2014, quando se fizerem as contas para a eventual garantia do Estado vai-se verificar que esta família terá um valor total final de cerca de € 290 659,29 para um investimento de – repita-se – € 230 939,78.

Ou seja, cerca de 25% superior ao valor investido.

Na minha opinião o FEI vai continuar a ter um desempenho notável pela simples razão de ter sido muito subvalorizado à partida – a necessidade de inventar um cenário de catástrofe assim o impôs. Mas a verdade está e estará a vir ao de cima com o tempo – e os investidores do RA do BPP já o entenderam.

Qual a reflexão que este exemplo real permite tirar para o universo de clientes do RA BPP?

Considerando a combinação de distribuições do FEI/FGD/SII pode-se dizer que uma família com 4 titulares já recuperou 100% do seu investimento se ele foi até € 600 000. Uma família com 6 titulares em outubro de 2013 já tinha recuperado a totalidade do seu investimento até € 1 000 000.

Considerando que mais de 70% dos investidores tinham aplicações de RA inferiores a € 600 000 pode-se, então, concluir que nesta altura serão muito raros os investidores nestes montantes, que não recuperaram já a totalidade do seu investimento.

Restam, ainda assim, os cerca de 30% de investidores que aplicaram montantes superiores a € 1 000 000.

Como se viu anteriormente, o FEI já gerou internamente 76,19% do capital investido a que haverá que acrescer o FGD/SII. Para montantes maiores o impacto na recuperação destes instrumentos é bem menor, pelo que a recuperação de capital só se poderá verificar pelo desempenho do FEI nos próximos anos.

Estou muito confiante em como isso se verificará.

Existe, finalmente, ainda um factor exógeno na forma da decisão judicial sobre o depósito de € 100 000 000 na CGD, que se fosse decidido a favor do FEI iria melhorar ainda muito mais o exposto.

  1. Alexandre Correia says:

    Boa tarde,

    Utilizei o seu caso real que agora pelas contas efectuadas verifico que é real. Tentei de alguma forma fazer uma aplicação directa ao meu investimento ainda sem ter conhecimento do valor final das UP’s e tendo eu investido 566 mil euros esperava que o ganho pudesse ser em equiparado ao ganho do caso que apresentou ou seja se para 230 houve um ganho de cerca de 60 mil Euros esperava eu que o meu ganho se situasse perto dos 140/150 mil euros, nomeadamente tendo eu 5 titulares na conta, reparo agora que pelas contas que faço e tendo conhecimento do valor final das up’s, o ganho é praticamente de 60 mil euros… será que poderia comentar porque não é possível fazer uma regra comparativa entre os vários casos existentes.

    Obrigado.

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