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De Príncipe do Bull-Sheet ao Príncipe de Peter.

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Reparei em nota anterior que José Maria Ricciardi andava mal quando atirava pedras para o quintal de outros, sendo ele próprio Arguido em dois processos -crime.

Num país onde o Banco de Portugal fosse “forte com os fortes” e não “cobarde com os fortes e forte com os pequenos”, José Maria Ricciardi já estaria fora da atividade bancária há muito tempo. Mas o país é o que é por alguma razão, e José Maria Ricciardi tem continuado o seu caminho feliz e contente.

Tão feliz e tão contente que a sua mania das grandezas o levou a considerar que poderia substituir Ricardo Salgado como CEO do GES.

Mas não seria uma substituição qualquer, seria um autêntico “golpe de estado” que redundaria na destituição sumaria do seu primo – tornado assim no “bode expiatório” de todos os males (e são muitos) do Grupo.

José Maria fez todos os contactos preparatórios com os seus primos e tão confiante estava no sucesso retumbante da sua iniciativa que chegou mesmo a fazer convites para uma nova Administração do BES. Por exemplo, profissionais de confiança de Salgado como Morais Pires e João Freixa levariam turbo-patins.

Convocado o Conselho Superior do GES em reunião de emergência, verificou-se que o velho leão poderia até estar velho e mesmo ferido com alguma gravidade, mas facilmente afastou a investida. Qualquer caçador de meia-tigela sabe que não há nada de mais perigoso do que um leão ferido mas a arrogância imperou sobre o bom senso. A derrota de José Maria foi tal que o seu próprio pai se viu obrigado a dar  voto de confiança a Ricardo Salgado.

Uma evolução extraordinária, sem dúvida. José Maria foi uma cria – como diriam os Brasileiros – de Ricardo, que tudo apoiou para que o BESI fosse um projeto de prestígio do Grupo. O óbvio seria José Maria negociar com Ricardo a sua ascensão mas – por design ou default – estatelou-se no terreno da confrontação.

Num momento em que estão em jogo equilíbrios tão delicados com os reguladores, os meios judiciais e os mercados financeiros internacionais – como o recente artigo do WSJ elucida. Quando se perspectiva a necessidade de um aumento de capital não inferior a € 1 BN e as relações com parceiros estáveis como o Credit Agricole estão em maré baixa. Tudo isto recomendaria uma atuação “com pinças” .

Ao invés do bom senso José Maria atuou como elefante em loja de porcelana.

Qual dos seus primos apostará hoje numa tal capacidade de liderança?

Nenhum .

Conseguirá Ricardo Salgado unir os acionistas para o novo aumento de capital e escapar de novo à intervenção estatal?

Pessoalmente acredito que sim.

Os reguladores e o Governo darão Graças se conseguirem escapar a mais uma intervenção e portanto, discretamente, tudo farão para o sucesso do aumento de capital. Os mercados internacionais melhoraram muito nos últimos meses, bem como a perceção de rating da República, propiciando um clima bem mais favorável do que na última ronda.

Os primos vão ranger os dentes mas, rapando o fundo ao inexistente tacho, dirão presente.

Concretizado o aumento de capital Ricardo poderá dar cartas na sua sucessão permanecendo como Chairman. Tudo indica que Ricardinho – filho de José Manuel – seja o novo CEO e uma nova geração com Bernardo à cabeça possa assumir os destinos do GES .

Inchá-la.

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