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Hara-Kiri de Granadeiro

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Quando Henrique Granadeiro saiu da Impresa no quadro de um complicado processo – misto de luta de poder com questões passionais – teve um amigo de infância que lhe estendeu a mão. Chamava-se José Manuel Espírito Santo.

Com o apoio de José Manuel e depois de Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro foi subindo na hierarquia da PT. Começou pela subsidiária Lusomundo Media e fruto do apoio da cúpula e das suas capacidades pessoais, nomeadamente de articulação política, Henrique Granadeiro atingiu o pináculo do seu poder quando dirigiu as tropas na vitória à OPA da SONAE.

A verdadeira história da vitória do GES sobre a SONAE na OPA da PT ainda está por escrever. Quando se fizer, seguramente incluirá como episódio chave a viagem de José Sócrates ao Brasil e o voo de helicóptero de Mário Lino para a sede da VIVO mal a comitiva aterrou em solo Brasileiro. Se Ricardo Salgado já era importante na PT, depois da vitória do GES na OPA ficou com poder absoluto de tal forma que a Comissão Executiva da PT despachava semanalmente no seu gabinete.

As aplicações de tesouraria feitas por Henrique Granadeiro em papel comercial do GES não têm, como é patente, qualquer defesa possível. Não têm defesa no plano técnico-financeiro, no plano de Governance e no plano ético.

Os danos ultrapassam largamente o montante das aplicações em risco. Como é óbvio a imagem de Portugal ficou seriamente afetada, nomeadamente no Brasil, e a fusão de iguais com a OI passou a uma aquisição pura e dura onde os interesses portugueses passarão para segundo ou terceiro lugar. Em consequência Henrique Granadeiro vai passar os próximos anos nos Tribunais cível e criminal. E a sua defesa parece-me extraordinariamente difícil.

Tenho-me perguntado muitas vezes como é possível que um homem inteligente como Granadeiro, ainda por cima casado com uma advogada, tenha embarcado nesta perfeita insanidade? Estaria Granadeiro consciente da insolvência das holding do GES quando renovou as aplicações este ano?

Por mim, penso que não. Caberá a Granadeiro esclarecer se foi mais um do numeroso grupo dos que se acham enganados por José Manuel Espírito Santo e Ricardo Salgado.

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