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O Banco de Portugal ataca de novo

3 comments

Desta feita foi de vez: depois do extermínio dos credores do GES veio o extermínio dos acionistas do BES e dos seus credores subordinados. Pelo meio veio uma grande machadada no mercado de capitais em Portugal e na credibilidade dos outros bancos fazerem aumentos de capital.

Já expliquei noutro post que o Banco de Portugal é um problema sistêmico para o sistema financeiro português. A atuação de Carlos Costa, mas sobretudo de Pedro Duarte Neves, é desastrada e desastrosa como o caso BES bem exemplifica.

Em Novembro de 2013 o BES, com autorização do Banco de Portugal e da CMVM, emitiu € 750 milhões de dívidas subordinadas. Foi um importante momento de regresso de Portugal aos mercados financeiros internacionais pois 95% da emissão foi colocada em institucionais estrangeiros. Essa importante abertura permitiu uma emissão da CGD similar pouco depois.

Em Junho de 2014 o BES fez uma emissão pública de capital um pouco superior a € mil milhões igualmente com o apoio ativo do Banco de Portugal e um prospeto aprovado pela CMVM. O Lider do sindicato bancário deste aumento de capital foi o BESI, cujo CEO José Maria Ricciardi, era ainda nessa data, Administrador do ESFG, da ESI e da ESPÍRITO SANTO CONTROLO.

Em 4 de Agosto de 2014 os cerca de 35 000 acionistas do BES, muitos dos quais terão entrado no capital do BES, pela primeira vez, há dois meses, e os detentores da dívida subordinada emitida há pouco mais de seis meses viram o seu capital reduzido a pó. Uma destruição de valor medida pela própria recapitalização € 4,9 mil milhões.

Os dados deste imbróglio são conhecidos.

Desde Setembro de 2013 que o BdP, confessadamente, sabia que o GES estava insolvente. Iniciou então um programa de “ring fence” com o objetivo de isolar o BES dos graves problemas do GES identificados.

A ideia de Pedro Duarte Neves e Carlos Costa era simples: separar os ativos bons que ficariam no BES, dos ativos maus que ficariam no GES e levar Ricardo Salgado a promover um aumento de capital antes de ser despedido.

A ideia de Pedro Duarte Neves seria ainda mais genial porque levaria às mesmas pessoas a promover a sua própria destruição. Ricardo Salgado e seus pares continuaram todos em funções até as vésperas da catástrofe e evidentemente enquanto o BdP pensava que estava a ocorrer o “ring fence” do BES O QUE ESTAVA A OCORRER ERA O RING FENCE DO GES.

O BdP jamais conseguirá explicar o inexplicável: ao manter em funções as mesmas pessoas fez-lhes um convite direto para promover o seu próprio ring fence. Carlos Costa e Duarte Neves são responsáveis, por omissão, pelas alterações materiais nas contas do BES que dizem ter sido uma surpresa.

Dito isto, devo esclarecer que considero a solução encontrada uma boa solução.

Mas esta boa solução tem um gravíssimo problema. Afeta investidores que não receberam informação materialmente relevante em emissões públicas muito recentes.

Em Novembro de 2013 o BdP sabia os riscos acrescidos que a oferta da dívida subordinada iria conter. O também líder da emissão BESI, através do seu CEO José Maria Ricciardi, também ocultou informação.

A emissão pública de Maio é ainda mais escandalosa tendo o Presidente da CMVM confessado publicamente que teve fortes pressões para aprovar o prospeto.

Os danos para os investidores diretamente são uma componente deste monumental imbróglio e seguem-se muitos processos judiciais, incluindo contra os reguladores.

Mas o maior dano estará na credibilidade do mercado de capitais em Portugal que levará muito tempo a recuperar.

  1. Otimo artigo !!!!!

    Inacreditavel a idiotice e Inocencia do BdP …. Um desastre….

  2. António Cardoso says:

    Caro João, e o BP continua a deitar gasolina para a fogueira quando afirma que todo o sistema bancário esteve no fio da navalha, mas ao mesmo tempo Carlos Costa gaba-se a ele próprio como salvador da Banca… Como pode dormir descansado este senhor…. entretanto o resultado está a vista no mercado de capitais Português, estamos a ficar ao nível da Argentina…

  3. Pedro Santos says:

    Como diz um brasileiro que conheço, Carlos Costa e Duarte Neves pertencem ao distinto grupo dos burros com iniciativa.

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