subscribe: Posts | Comments | Email

Quem compra o BESI?

0 comments

Ninguém.

Na verdade ficaria muito surpreendido que alguém no seu bom juízo quisesse comprar o BESI ou o NOVOBANCO Investimento, nem tenho bem a certeza como se chama.

As razões para a falta de interesse de investidores no BESI parecem-me óbvias: o BESI é um negócio medíocre; com um passivo de litigância potencial elevado; e sérios problemas reputacionais na sua liderança executiva.

Em primeiro lugar, o BESI é um negócio medíocre por não remunerar os seus capitais próprios. Nos últimos cinco anos – anos de ouro para a banca de investimento internacional – a rentabilidade média dos capitais (ROE) foi de uns míseros 1,7%. Uma qualquer aplicação sem risco faria melhor.

As razões para a muito fraca rentabilidade dos seus cerca de € 600 milhões de capitais são óbvias: uma excessiva diversificação de atividades e geografias não possibilitando escalas económicas mínimas em muitos segmentos de negócio. O BESI queria fazer um pouco de tudo, estar presente em tudo trabalhando, isso sem dúvida, a sua imagem excepcionalmente bem – pagando fortunas bem entendido. O BESI era um projeto de prestígio do GES e isso fazia bem.

Por exemplo, nas geografias, apenas as operações em Portugal e no Brasil são rentáveis, o que significa que dos cerca de 825 colaboradores do BESI apenas uns 300 aportam contribuição positiva. Várias atividades como “crédito” ou “gestão de activos” estão muito longe de escala económica mínima e teriam que ser encerradas. No Private Equity, por exemplo, o BESI gere € 325 milhões cerca de 25% do montante gerido há seis anos pelo BPP nesta área.

No “funding” da sua atividade corrente o BESI dependia totalmente do seu único acionista quer fosse por linhas diretas (em cerca de € mil milhões), quer pelo rating da casa mãe. O seu programa EMTN dependia totalmente da reputação BES. Um novo dono teria que ter uns € 3 mil milhões de linhas para suportar imediatamente as necessidades de “funding” do BESI.

A completa dependência do BES vai ficar completamente a nu quando o BESI apresentar as contas do 3º trimestre e ainda mais as do fim de ano de 2014. Prevejo que o lucro marginal do 1º semestre se transforme num prejuízo muito significativo de final de ano.

Em segundo lugar, o passivo legal potencial do BESI é muito elevado. O BESI foi o banco líder das emissões de subordinadas e do aumento de capital do BES – responsável pela emissão dos seus prospetos de oferta pública – e portanto será um alvo natural das várias frentes de litigância em preparação. É hoje claro que o Presidente executivo do BESI tinha informação relevante sobre o BES e a sua liderança executiva que não foi reproduzida nesses prospetos de oferta pública.

Em terceiro lugar, em termos reputacionais o BESI foi mesmo atingido no seu coração. Atrevo-me mesmo a dizer que se o BESI fosse um banco independente já teria que ter sido intervencionado.

O último exemplo é o de Ricardo Espírito Santo que gerindo até agora a unidade mais rentável do BESI se teve que afastar da operação Brasileira.

Mas em termos reputacionais o problema mais grave do BESI chama-se José Maria Ricciardi, que designei em “post” anterior como O PRINCIPE DO BULL-SHIT.

Zé Maria, já arguido em dois processos que irão em breve a julgamento, conservou a idoneidade bancária atribuída pelo Banco de Portugal por ter colaborado com o BdP no cerco e derrube de Ricardo Salgado. As fugas de informação para o EXPRESSO do papel comercial do GES detido pela PTELECOM estão mapeadas. Ricardo sabe perfeitamente quem as fez e como as fez e como elas foram estratégicas para a sua queda e a do GES.

E quem vai confiar num “banqueiro” que se virou de forma tão trágica contra o seu criador? Sim, porque não há a mínima dúvida que quem inventou e levou ao colo Zé Maria na sua trajetória como “banqueiro” foi – para mal dos seus pecados – Ricardo Salgado.

Em 12 de Julho de 2012, José Maria Ricciardi debitou…“ Sou banqueiro e sinto-me envergonhado pelo que continua a acontecer em determinados bancos”.

Quando pensamos que Zé Maria estava sentado no Conselho Superior do GES e era Administrador de todas as sociedades do GES (ESI e ESFG incluídas). Era membro da Comissão Executiva do BES com responsabilidades pelo Risco – área que crucialmente atribuiu rating à ESI e RIOFORTE para permitir a sua comercialização no BES. É Presidente Executivo do BESI, entidade que liderou as emissões de dívida subordinada do BES e o aumento de capital do BES já depois de – comprovadamente – saber toda a verdade sobre o (desastroso) consolidado do GES.

Se uma pessoa destas convence o Banco de Portugal que tem idoneidade para ser “banqueiro” e não tem nada a ver com a “debacle” do GES/BES eu também posso dizer que eu sou o REI de FEZ.

Como é evidente interessa ao BdP ter uma testemunha colaboradora no processo contra Ricardo Salgado e Ricciardi é perfeito para isso. Já vi casos semelhantes onde a multa correspondente foi reduzida a 1/12, ou seja quase nada MAS aceitando culpa. Ricciardi pensa que o Bdp não o vai acusar mas está enganado. Prevejo outrossim que Ricciardi seja acusado também pelo BdP mas altamente atenuado na pena. Entretanto – como paga – o BdP deu-lhe o prato de lentilhas de ser, até novas ordens, um “banqueiro” zombie.

Mas um investidor no BESI está interessado nesta carga do passado? Num banco cujo Presidente executivo tem esta problemática jurídico-reputacional? Parece-me evidente que não. Zé Maria ainda não entendeu mas é um ativo altamente tóxico. Faz parte do problema não da solução.

Em resumo, quer pelo perfil de negócio quer pelas contingências legais e pela carga reputacional da atual liderança executiva, o BESI não tem qualquer possibilidade de ter uma operação “standalone” viável. Um qualquer operador da indústria teria que fazer uma cirurgia tão radical e aportar de imediato linhas de financiamento tão relevantes que mais valeria começar do zero.

Mas então qual a solução para o BESI?

Não vejo outra que ser vendido em conjunto com o NOVOBANCO contando mais como passivo do que ativo. O BdP ainda se vai arrepender de não ter incluído o BESI no “banco mau”.

Leave a Reply