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Banco Santander e a ética empresarial

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O Presidente do Banco Santander em Portugal, António Vieira Monteiro, decidiu saltar da discrição de onde raramente sai para ditar uns “bitaites” sobre Portugal em entrevista a um título da Impresa.

Foi dita muita coisa mas no emaranhado das ideias resulta a questão central, o NOVOBANCO não vai ser vendido por € 4,9 mil milhões – leia-se o Santander jamais pagará este preço. Depois, para baralhar, diz-se que a CGD deveria ser vendida a 100%, tal como a TAP – como se isto fosse comparável – e fala-se na evolução das taxas de juro incluindo as pagas pelo NOVOBANCO.

Perpassa na entrevista de Monteiro ao EXPRESSO um tom de superioridade moral face ao comum dos mortais, similar aliás à do seu amigo José Maria Ricciardi quando se digna discorrer, que francamente me repugna pela hipocrisia. Já deixei muito claro o meu entendimento sobre a superioridade moral de banqueiros, reguladores, auditores e políticos que legislaram sobre o sector financeiro – NÃO EXISTE.

Para além de outras responsabilidades individuais que só cada caso em concreto poderá esclarecer, ficaria bem aos “players” do mundo financeiro – incluindo Fernando Ulrich – que tivessem a humildade de reconhecer que todo este sector ainda não explicou a sua contribuição para as sequelas da crise financeira que ainda grassa em Portugal e os males para o cidadão comum daí derivados.

Estava eu a pensar nisto e nem de propósito. O Banco Santander em Espanha dissolveu este fim de semana o seu Comité de maior prestigio – o Conselho Consultivo Internacional.

O Conselho Consultivo Internacional do Banco de Santander era Presidido por António Fernández, Presidente do grupo mexicano Modelo e nele participavam, entre outras personalidades, Lorde Burns Presidente do ChanelFour, Bernard de Combred da TOTAL TRADING em Geneve e Francisco Pinto Balsemão Presidente da Impresa. Este Conselho Consultivo, como o nome indica, não tinha funções executivas, reunia duas vezes e recebia por ano € 200 000- seguramente declarados fiscalmente.

Sucede que um dos ativos mais importantes deste Conselho Consultivo Internacional, de repente, ficou tóxico. Refiro-me a Rodrigo Rato, o ex-ministro socialista que depois foi Presidente do FMI, Presidente do BANKIA e “senior advisor” do Lazard Freres.

Na Presidência de Rodrigo Rato o BANKIA, depois de um desastroso aumento de capital, foi sujeito a uma massiva intervenção do Estado. Rato é ainda arguido no chamado processo do “dinheiro negro” dos cartões de crédito e, mais grave, na suspeita de ter recebido comissões do Lazard quando contratou este Banco já Presidente do BANKIA.

Enquanto viveu Emílio Botin jamais aceitou que se tocasse no seu amigo Rodrigo Rato mas Ana Patrícia não tem a mesma dívida histórica e sobretudo entendeu o sinal dos tempos. Assentou o início do seu reinado – porque de Dinastia se trata – nessa bela palavra – transparência – e como resultado, em vez de correr com Rodrigo Rato, extinguiu todo o Conselho Consultivo Internacional para que Rodrigo se não queixasse. Com isto lá se foram os € 200 000 anuais de Francisco.

Começa afirmativa Ana Patrícia e ademais arroupada pelo Estado Espanhol onde o Ministério Público estabeleceu a “Doutrina Botin” para a fraude fiscal e branqueamento de capitais – gerando interpretação especial para os capitais da família Botin refugiados há décadas no HSBC em Geneve. Doutrina Botin que se tentará, agora, aplicar à Infanta Cristina nas trapalhadas originadas pelo seu marido no Instituto NOOS.

Falemos então de ética e transparência.

Monteiro, PORQUE NO TE CALLAS?

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