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O Investimento Chinês no Mundo

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As recentes aquisições da FOSUN e da HAITONG em Portugal a par da importância da comunidade chinesa nos Vistos Gold sugerem uma crescente análise do processo de internacionalização chinês. Este post vai referir-se apenas a alguns dados de enquadramento geral deixando para depois análises mais em detalhe.

A fonte de informação que me parece mais fiável nesta matéria é a HERITAGE FOUNDATION pois todas as restantes, incluindo um relatório do DEUTCHEBANK que copiei no Blog, me parecem muito parcelares.

É preciso recordar desde logo que a China é o país mais populoso do Mundo e muito proximamente será a maior economia mundial. Dos cerca de 7,2 mil milhões de seres humanos cerca de 1,4 (15,3%) vivem na China, por comparação com 323 milhões (4,5%) que vivem nos EUA.

Quando falamos da China os números estão envolvidos com um gigantismo ao nível da maior escala mundial e assim têm que ser entendidos. O contraste com a escala portuguesa não poderia ser mais dramático.

É conhecido que nas últimas décadas a China acumulou reservas pelos saldos positivos da sua balança de pagamentos externa que, atualmente, é da ordem dos $ 4 triliões (4 000 000 000 000). O stock total de investimento externo da China corresponde em 2014 a $ 870,4 BN, ou seja apenas a cerca de 21% das suas reservas em divisas. Digamos que o investimento direto chinês externo é um processo bem no seu início.

O movimento de investimento estrangeiro chinês teve uma primeira fase centrada na procura de ligações estratégicas a países e empreendimentos com recursos naturais em que a China é deficitária. Daí que desses $ 870,4 BN de stock total cerca de 395,9 BN, ou seja 45%, se tenha concentrado no setor da energia.

Nesta primeira fase, sobretudo com base em empresas estatais, a China investiu forte em países que lhe proporcionassem acesso a recursos naturais: EUA $ 71,9 BN; Austrália $ 61,3 BN; Canadá $ 39,4 BN; Brasil $ 31,4 BN; Indonésia $ 30,7 BN; Venezuela $ 17,5 BN; Peru $ 16,5 BN; Malásia $ 15,7 BN e Argentina $ 14,8 BN; por exemplo.

Numa segunda e mais recente fase, centrada em empresas privadas e de “private equity”, a China procura marcas e canais de distribuição muitas vezes aceitando posições minoritárias com influência em gestão. É este o exemplo do investimento chinês na Europa que totaliza neste momento cerca de $ 104 BN, dos quais $ 23,6 BN no Reino Unido.

Empresas emblemáticas como a FIAT; TELECOM ITALIA; FERRETTI; ENI; ENEL; CDP RETI; REN; EDP; GDF; RIOTINTO; VOLVO e BARCLAYS têm uma componente mais ou menos relevante de capital chinês.

Em Portugal o stock de capital chinês é de $ 5,4 BN, em linha com a relevância noutros países europeus podendo ser catapultado para todo um outro patamar com um eventual investimento no NOVOBANCO.

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