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A venda do BESI

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Foi concretizada a venda do BESI. Só não parabenizo Ricciardi completamente porque se me tivesse telefonado diria “assim também eu” arranjaria comprador. Mas as coisas são o que são e longa vida a Ricciardi e aos seus colegas do BESI, alguns dos quais meus amigos.

O BESI foi, desde logo, vendido com ZERO de contingências de litigância passando todo o historial de litigância potencial para o Estado português via Banco de Portugal. É certo que o BdP remete estes custos potenciais para o BES mas como o BES não terá meios será o Estado a fazer o “back stop”. Daqui a uns largos anos saberemos o quanto custou, afinal, ao Estado português o BESI.

O BESI foi também vendido com ZERO contingências por imparidade. O BESI registou uma imparidade de cerca de € 230 milhões no segundo semestre de 2014 para corrigir o balanço por forma a ter base ZERO em final de ano. Assim sendo, os compradores HAITONG receberão com a mão direita o que vão pagar com a mão esquerda, isto é rigorosamente o mesmo valor.

Não pagando nada pelo “Goodwill” do BESI, as suas equipas técnicas, as suas (muito importantes) licenças bancárias em várias operações internacionais e o seu currículo de operações, pode-se dizer que a HAITONG fez uma excelente operação. Vai seguramente agregar o BESI com outras aquisições recentes como o JAPANINVEST no quadro da montagem de uma operação internacional que rivalize com os bancos de investimento americanos.

Para o Fundo de Resolução e o NOVOBANCO diria que foi uma operação positiva também. O NOVOBANCO libertou os ativos do BESI que ponderados pelo risco melhoraram o seu rácio de solvabilidade em mais de 50 pontos base. Simultaneamente a HAITONG vai ter que substituir o apoio de liquidez que vinha a ser dado pelo NOVOBANCO ao BESI o que significará uns € 3 mil milhões de caixa para o NOVOBANCO. Peanuts para o gigante chinês.

Ficou traçado um dos aspectos essenciais na venda do NOVOBANCO, a saber as contingências de litigância. O comprador do NOVOBANCO pode legitimamente aspirar ao mesmo tratamento da HAITONG – as contingências ficam em última instância para o Estado português.

Restará finalmente o tema da idoneidade de Ricciardi. Penso que o BdP continuará a tratar carinhosamente um seu aliado mas não vejo como poderá acusar a Comissão Executiva do BES na sua auditoria forense sem incluir Ricciardi.

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