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A Infusão BCP/BPI

1 comment

Chá de camomila é a nova bebida favorita de Artur e Fernando.

Já não bastava uma OPA que lhes arruína todo o projeto histórico do BPI, vem agora Isabel propor uma fusão com o BCP que deixaria o BPI na gestão de Nuno Amado.

Mas a verdade é que a fusão não vai acontecer.

Desde logo porque LaCaixa não quer e tendo uma minoria de bloqueio nos seus 20% de votos (apesar dos 44% de capital) vai inviabilizar qualquer devaneio. Ficaria, neste contexto, muito surpreendido que a gestão do BPI desse continuidade à sugestão de iniciar as conversas com a Administração do BCP nesta sequência.

Depois, porque o BCE não quer. Frankfurt já fez saber pelos canais adequados que não considera, neste momento, esta uma boa ideia. E aqui não há volta a dar, não haverá operação.

Mas sabendo Isabel perfeitamente que não vai haver operação fez, não obstante, a manobra tática. E diria de forma brilhante pois só tem a ganhar em qualquer cenário.

Desde logo Isabel diz que não quer que o BPI compre o NOVOBANCO. Muito melhor uma fusão com o BCP que não requer capital. Os timings da OPA e/ou da fusão BCP/BPI inviabilizam uma proposta vinculativa de compra do NOVOBANCO pelo BPI que terá que estar em cima da mesa daqui a uns dois meses.

Depois, ao colocar pesadas areias na engrenagem da OPA ao BPI, Isabel gere o timing da solução do BFA que deverá estar clarificado até ao final do primeiro semestre deste ano. Isto é, quanto mais tempo passe sem que a gestão do BPI possa absorver no seu Balanço o “problema” BFA mais estará numa posição de venda forçada, ou seja a preço mais baixo.

A verdade é simples. O BFA só tem um comprador e Isabel está a gerir com maestria a compra deste importante ativo.

LaCaixa sabe que o BPI vai vender o BFA e sabe também que o BPI não vale, com a atual gestão, muito mais do que o preço que já ofereceu. Poderia mover-se uns 10% mas jamais uns 70%. Irá aguardar tranquilamente que o BPI seja forçado a vender o BFA para depois lhe cair de maduro.

Quem serão os grandes derrotados? Os minoritários do BPI, em particular os históricos investidores do Norte como VIOLAS, Rezende e Jervell à cabeça que, compreensivelmente, se zangaram com Artur. Disseram-lhes para não vender a €7 e recomendam que vendam, agora, a €2. Grande topete.

Tudo visto e somado a questão é simples. LaCaixa comprará o BPI. Isabel comprará o BFA. Artur e Fernando comprarão uma infusão.

  1. aferreira says:

    Bom dia, qual lhe parece ser o passo mais sensato do La Caixa?
    E termos comparativos e racionais, o preço pode subir até quanto?
    E num cenário de fusão com o BCP, qual seria a relação de troca razoável? (antes da OPA creio que a generalidade das avaliações davam BPI um euro, BCP 10 cêntimos)

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