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A greve da TAP

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A meio do período de dez dias de greve dos pilotos da TAP podemos interrogarmo-nos sobre os objetivos e os interesses que se movem em torno desta questão.

É interessante que na presença de uma grave medida para uma qualquer companhia, colocando mesmo em causa a viabilidade de milhares de postos de trabalho, não sejam evidentes as razões da greve.

Isto mesmo, torna claro um esclarecido texto de opinião de Pedro Guerreiro no Expresso Diário onde apresenta sete teorias da conspiração para a greve, ou seja, sete díspares razões. Por outras palavras, uma pessoa comum – a começar por mim – não tem uma explicação óbvia e coerente para a greve.

Seria a participação dos pilotos no capital social da TAP? O então Ministro, João Cravinho, e a Procuradoria-Geral da República já arrasaram esta possibilidade.

Seriam questões salariais ligadas a diuturnidades e quejandos? Há notícias de ter havido acordo sobre estas matérias entre o Presidente da TAP e o Presidente do SPAC – entretanto desautorizado.

Será uma questão de afirmação do poder do SPAC na TAP tornando claro que quem manda hoje, e sempre, na TAP são os pilotos? A fraca adesão dos pilotos da TAP à greve, apenas contrabalançada pelos da PORTUGÁLIA, resultou numa percentagem de 30% de voos totais cancelados demonstrando uma forte divisão numa classe bastante unida até agora.

O curioso desta greve é que resulta no fortalecimento dos alvos que parecia querer abater: Governo, Fernando Pinto e o processo de privatização.

A completa impopularidade da greve, evidentemente ligada à incompreensão geral dos seus objetivos, facilitou completamente a posição do Governo. O que seria um golpe de misericórdia transformou-se em redenção de tal forma – imagine-se – que uma das teorias da conspiração seria que o SPAC seria um aliado do Governo.

E o que dizer da greve fortalecer Fernando Pinto? Só no mais tortuoso esquema mental alguém poderia imaginar que o SPAC quereria apoiar o Presidente da TAP.

Quererá a greve desvalorizar e tornar mais barata a TAP para um potencial comprador? É óbvio que um tal processo desvaloriza, mas o encaixe para o Estado Português já seria tão próximo de zero que o impacto nesta matéria será marginal.

Quererão os pilotos dizer que são a peça chave da companhia e que um comprador terá que negociar com eles em prioridade? Mas neste caso, a divisão que se verificou e a fraca adesão à greve não fortaleceu o poder negocial do SPAC.

Como resultado final quem saiu claramente fortalecido foi o entendimento de que, quanto mais rápida a privatização, melhor. O SPAC perdeu claramente poder neste processo.

Há quem classifique esta greve dos pilotos da TAP como um ato estúpido. A verdade é que todos os atos, todas as estratégias, parecem incrivelmente estúpidas quando falham.

A greve dos pilotos não é um ato estúpido, é um ato falhado.

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