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Saudações Leoninas

1 comment

A contratação de JJ pelo Sporting lançou comoção geral no país. E não seria para menos pois se trata da transferência – não do ano – mas seguramente da década. Se vai resultar ou não, o tempo dirá, mas muito provavelmente será ditada por aqueles imponderáveis do futebol que têm a ver com a bola ir ao poste num momento crítico ou o melhor jogador da equipa falhar um penalti no prolongamento. Na linguagem de JJ serão “coisas do futebol” mas na linguagem dos cultos, altamente conhecedores de futebol – já seria “a vida”.

Há muitas questões interessantes para analisar na minha perspetiva sportinguista. A primeira é: por que razão Luis Filipe Vieira libertou JJ? Porque tomou decisão tão impopular na nação benfiquista?

A razão de fundo apresentada, penso corresponder à verdade, a saber fruto das restrições financeiras, o Benfica teria que mudar de paradigma. Teria nomeadamente que baixar drasticamente os custos do plantel o que passa necessariamente por uma maior aposta em jogadores mais jovens, designadamente da formação encarnada.

Por outras palavras para um motor Fiat não é preciso uma carroçaria ROLLS e nesse sentido podemos mesmo interrogarmo-nos em que medida não terá, afinal, havido um “acordo a discordar ” entre Vieira e JJ.

Vieira precisa de um novo paradigma de contenção para o qual JJ seria um extravagante luxo. JJ, por seu lado, quer ter um projeto ganhador que lhe permita condições para disputar o título e não um carro de combate do tipo francês que só tem marcha atrás. JJ – imagino – já teve suficientes experiências medianas, habituou-se a vencer e quer continuar a vencer. Agora pode dizer-se que nesta opção sportinguista JJ é inculto e estúpido mas, para mim, revela uma apreciável sabedoria.

Mas persiste a questão. Porque é que o Benfica teve que mudar de paradigma por restrição financeira?

Sim, porque ninguém acredita que Vieira deu esta cambalhota por vontade pessoal. Vieira sabe que vai passar de bestial a besta muito rapidamente se os resultados desportivos se deteriorarem.

E uma feia feira de vaidades para a sua sucessão estará inevitavelmente em marcha.

A queda do GES deixou Vieira de “calças na mão”. O fundamental apoio financeiro do Benfica colapsou e a boa compreensão que Vieira tinha na banca com o Alto Patrocínio de Ricardo Salgado esfumou-se. Vieira distraiu-se no timing da re-estruturação financeira do Benfica. Nunca lhe passou pela cabeça que os seus aliados no BES pudessem pura e simplesmente desaparecer.

De repente, para os seus credores BES e BCP, o Benfica não passa de um cliente altamente problemático a quem tem que ser aplicado um “Work Out”, ou seja, algo como a visita da TROIKA ao Estádio da Luz. O BCP já declarou – não há mais dinheiro para o futebol. E o NOVOBANCO está a gerir o seu crédito numa lógica draconiana. A conclusão de tudo isto é óbvia, não há dinheiro e portanto toca a cortar a direito.

Isto evidentemente é uma grande dor de alma para os benfiquistas.

Um dos meus melhores amigos – grande benfiquista mas que, por alguma razão, só gosta de conviver com sportinguistas – teve um tal ataque de nervos com a saída de JJ que até – irremediavelmente – perdeu o cabelo.

Outros benfiquistas usam agora os mesmos argumentos que ainda há pouco tempo os adeptos do FCP e do Sporting usavam para menorizar as conquistas de JJ e do Benfica. A saber a escassa capacidade cultural de JJ e os seus frequentes desencontros com a sintaxe. De fato, não será fácil conviver com a perda de um treinador de excelentes resultados desportivos e financeiros nos últimos seis anos. Tudo visto e somado, em linguagem simbólica os psiquiatras diriam estarmos na presença de sintomas de “dor de corno”.

Este “grande melão” benfiquista é exemplarmente EXPRESSO pela entrevista desse grande intelectual do Google, Comendador Marques Monteiro, demonstrando os grandes conhecimentos de filologia Grega que JJ possui. Felizmente Marques e Monteiro nunca fizeram um debate na SIC – fica contudo a sugestão – para se apurar qual dos dois seria o mais erudito tais as recíprocas acusações de ignorância. O exercício é, na verdade delirante, e mostra até que ponto os benfiquistas se viram Gregos com todo este imbróglio.

Mas então como foi possível a Bruno de Carvalho contratar JJ?

A resposta está na re-estruturação financeira que in extremis o BES fez para o Sporting. Bruno de Carvalho, mal eleito, ameaçou a demissão imediata e o default selvagem dos créditos ao BES com todo o dano colateral para os seus responsáveis.

Aí, José Maria Ricciardi teve um papel relevante e a re-estruturação financeira aconteceu. O Sporting – que estava, de longe, na pior situação dos três grandes – emergiu do seu período de austeridade com potencial para arriscar e crescer.

O paradigma perdedor inaugurado por José Roquette e conhecido como “O projeto” chega, assim, ao fim. Diz Rui Santos, no EXPRESSO, que os seus protagonistas estão “em pânico” quanto aos resultados da auditoria sobre este projeto. Por mim devo confessar que nunca entendi de que “projeto” se tratava.

Bruno Carvalho é agora acusado de “uma obsessão de ganhar”. Curiosamente a mesma crítica que fazem a José Mourinho que assume sem complexos esta obsessão. Se a oposição interna só tem isto a dizer então é muito pouco. Porque um clube com aspirações nacionais tem que ganhar títulos, mobilizando os seus associados, atraindo outros e aumentando as receitas no percurso.

Fruto da fragilidade financeira do Benfica e do período de transição na Presidência de Pinto da Costa, Bruno de Carvalho tem uma janela – seguramente estreita – de oportunidade para colocar o Sporting na luta pelos lugares cimeiros. Goste-se ou não (como eu) do seu estilo, mérito já tem que se lhe dar.

Bruno de Carvalho foi ambicioso e colocou a fasquia muito alta. Se tiver êxito será o sucessor de Pinto da Costa. Se fracassar poderá terminar como uma espécie de Jorge Gonçalves.

JJ ditará em larga medida os acontecimentos.

  1. Fernando Silva says:

    Meu Caro Dr João Rendeiro

    Os meus cumprimentos.

    Li, com curiosidade, este seu artigo sobre futebol. Pensei que tal
    lhe passasse ao lado.
    De forma simples eu vejo que JJ saiu do colinho do Benfica, porque
    o Benfica não tem dinheiro e sem dinheiro é dificil construir uma
    equipa que dê garantias de sucesso.Como tal JJ não arriscou e foi
    para o Sporting que tem dinheiro e com dinheiro é mais fácil construir uma equipa vencedora.
    É por esse motivo que venho aqui menorizar as conquistas no Benfica. Em 6 anos ganhou 3 campeonatos e umas taças da liga e pouco mais. Nesses 6 anos teve sempre muito melhor equipa que o FC Porto, excepto talvêz no ano em que venceu Villas Boas. Assim é facil. Gostava de vêr a sua competência nesta hora dificil para o Benfica. Cumprimentos

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