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BPI à deriva

4 comments

O movimento tático da Santoro teve pleno êxito e a OPA do CAIXABANK, nesta fase, terminou.

Os pequenos acionistas do BPI, como Edgar Ferreira, que tentaram “merger arbitrage” apostando na subida de preço da OPA queimaram-se.

Não é a primeira vez.

O BPI, dos excelsos Santos Silva e Ulrich, é o campeão mundial da destruição de valor acionista nos últimos 20 anos. Os Ferreira da vida já deviam ter aprendido há muito tempo a diferença entre o campo de Golfe e a sala dos troféus.

A CAIXABANK recusou-se a subir o preço da OPA e deixou toda a gente pendurada.

E agora?

O Conselho de Administração do BPI ao valorizar o banco nuns impossíveis €2,04 por ação não só criou expectativas irrealizáveis aos seus acionistas como, de fato, impossibilitou uma qualquer fusão com o BCP.

Obviamente, o rácio de troca do BPI com o BCP jamais poderia partir de um valor por ação BPI inferior a €2,04 e, portanto, estamos a falar de uma equação irrealizável.

Mas a equação é ainda mais irrealizável porque se trataria da gestão do BCP a controlar e massacrar o BPI na fusão. Poderá tratar-se do último combate da sua vida empresarial mas Santos Silva e Ulrich jamais permitirão isso. Nisso, entendo-os bem.

Mas o que tem sido menos entendido é que, a meu ver, SANTORO, não pretende, afinal, uma fusão do BPI com o BCP.

Porquê ?

A SANTORO tem como face pública Isabel dos Santos mas, na verdade, é uma parceria de Isabel dos Santos com Fernando Telles. Fernando Telles é o fundador do BIC Angola, o banco financiador da SANTORO. Telles foi o gestor que foi o motor do crescimento do BFA em Angola e que o conhece como ninguém.

É de meridiana evidência para mim que o objectivo de Telles e SANTORO é a aquisição do BFA a bom preço. Não se me afigura fazer qualquer sentido a diluição do seu interesse económico no BCP/BPI fusionados.

É certo que as dificuldades financeiras da SONANGOL poderiam fazer a Telles alimentar a ilusão do BIC poder um dia comprar a posição da SONANGOL.

E Telles, ser ele, ironia das ironias, o grande patrão das finanças luso-angolanas. No mesmo sentido poderiam apontar as dificuldades da economia angolana para que o risco da carteira de crédito se diluísse na Europa.

Seja como seja, no meu entender, Telles vai refrear esta tentação pois, na minha avaliação, seria dar um passo maior do que a perna e todos sabemos os riscos desse processo.

Admitindo uma razoável gestão de risco, a SANTORO irá satisfazer-se pela compra do BFA e o tratado de Tordesilhas – desta vez entre espanhóis e angolanos – vai satisfazer todos os interesses estratégicos.

Artur Santos Silva e Ulrich ficarão a fazer que mandam nos papalvos mais uns anos.

A CAIXABANK ficará com a sua DRP (Direção Regional Portugal) finalmente a dar lucro.

Isabel dos Santos e Fernando Telles controlarão a banca angolana e – quem sabe – um dia mais tarde se possam abalançar a comprar a posição da SONANGOL no BCP.

Sobram os idiotas de serviço, como Edgar Ferreira e outros, que ficarão, mais uma vez, a “ver navios”. Os campos de Golfe têm às vezes um preço que a razão desconhece.

  1. Bom dia,
    Gostava só de questionar qual foi o título vendido por Edgar Violas, tendo em conta essa necessidade para uma estratégia de arbitragem de fusões? Caixabank?
    Ademais, essa estratégia parece extremamente arriscada tendo em linha de conta que a Santoro nunca iria aceitar a OPA, até porque o La Caixa no actual contexto de mercado nunca poderia oferecer 2,28 (incluindo sinergias).
    A aposta de Edgar Violas parece-me ser mais centralizada num cenário de consolidação, que mais tarde ou mais cedo terá de acontecer, do que concretamente na questão do Caixabank.

  2. Euroborn says:

    Bom artigo.
    Algumas questões:
    1) qual o valor do bfa (per de 12×120Meur?)
    2) qual o impacto no valor do bpi dessa venda?
    4) qual sera o valor liberto pelas coberturas exposição Angola?
    3) sera o bpi capaz de ter res liq de 120Meur em Pt?
    5) o Bpi vale o book value e o Bcp nao?

  3. Igualmente siguen teniendo debilidades.

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