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O BPI e os cús virados para a lua

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Sempre tive o maior desprezo por privilegiados que não conquistassem posições de vantagem em mercado e concorrência abertos. Nos que assentaram as suas posições competitivas no “amiguismo”, no “lobismo” e no “excecionalismo” das regras feitas à medida.

Enfim, nos cús virados para a lua.

Durante muitos anos teve e ainda tem um papel muito importante na banca portuguesa uma ONG chamada “SAM”. Esta SAM é constituída por um conjunto de pessoas que fez tropa na Marinha e aí estabeleceu laços de camaradagem que duraram para toda a vida. Tudo seria muito saudável se fosse mera camaradagem. Mas não.

Estes laços de camaradagem prolongaram-se na vida empresarial.

Se um estava na CGD deu uma crítica “mãozinha” no adequado “funding” de um banco nascente. Se estava difícil a concessão da licença bancaria do banco nascente logo um solícito secretário de estado da época cavaquista mexia os cordelinhos para que a armada chegasse a bom porto. Se havia que prejudicar um concorrente logo um dos colaboradores da SAM falaria com o prezado amigo Presidente do Banco de Fomento. Se alguém do “inner circle” estivesse com alguma dificuldade logo haveria um movimento de apoio para a promoção a um qualquer lugar – Ministro, porque não?

Esta SAM não tem sido mais do que uma SOCIEDADE DE ADMIRAÇÃO MÚTUA. Os participantes são conhecidos e dispenso-me de nomear estes cús virados para a lua a quem – pelos vistos, tudo é permitido.

Lembro-me desta metáfora a propósito do BPI.

Blindam-se estatutos quando interessa. Dispensa-se de OPA porque os estatutos estão blindados. Convidam-se acionistas para participar com o “rebuçado” de que os estatutos estão blindados. Quando deixa de interessar a blindagem logo se desblinda em Decreto-lei. Ficam os pequenos acionistas e Santoro “pendurados” e a SAM a rir perdidamente. Coloca-se a relação de Estado com Angola em risco e evidentemente a culpa é dos angolanos que não têm nada que defender interesses legítimos.

A excelência da gestão do BPI é colocada acima de qualquer suspeita pelos acólitos do ex-jornalista.

O BPI na sua presente formulação resultou de uma fusão com o BFE cuja privatização foi declarada nula pelo Supremo Tribunal Administrativo. Por outras palavras, o BPI não existe juridicamente. Mas não faz mal. Quem vai acreditar que o BPI não existe?

Foi rejeitada uma oferta do BCP que (num ataque de loucura) ofereceu € 7,2 por ação numa OPA. A SAM organizou a rejeição desta oferta e isto custou € 6 mil milhões aos acionistas do BPI. Quem se queixou, acusou Silva & Ulrich de burla ou gestão danosa?

Depois, vem a extraordinária gestão de risco da dupla Silva & Ulrich.

Como o crédito a empresas seria de alto risco, toca a fazer crédito imobiliário e soberano – com elevada ênfase na Grécia. Como resultado final, o valor económico da carteira de crédito imobiliário continua a ser muitos milhões de euros negativo, apesar do capital do Estado português na forma de CoCo. O BPI está economicamente insolvente. Mas quem se interessa se os outros ainda estão pior?

Não obstante a SAM no BPI chegou ao fim da linha.

Ainda se tentou organizar um movimento nacionalista contra o avanço da banca espanhola, liderado por um ex-Presidente do Banco de Fomento. Mas mal se garantiu a continuidade de Ulrich logo se recolheu o “centro de interpretação de Aljubarrota”. As reivindicações de Aljubarrota estão limitadas ao prazo de validade de uns poucos mais derradeiros anos das carreiras de Silva & Ulrich.

A verdade é que LaCaixa manda e vai mandar e pouco lhe importa quem é o Diretor-Geral desde que faça o que lhe dizem.

Tudo visto e somado LaCaixa e Santoro lá se entenderão com mais ou menos ranger de dentes dos angolanos.

Com um preço de OPA ainda mais baixo os pequenos acionistas do BPI – liderados pelos habituais totós de serviço – estão cada vez mais perplexos.

Talvez seja melhor correr e aceitar esta oferta como dádiva dos Deuses antes que a CMVM os venha proteger.

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