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JOSÉ MOURINHO JÁ GANHOU

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O segredo mais mal guardado do Mundo já foi revelado. José Mourinho assinou contrato com o Manchester United por três anos.

O que tem que ser tem muita força. E o curriculum de vencedor nato de José adequa-se que nem uma luva às necessidades prementes do ManU. Imagino como devem estar tristes os mestres da intriga em Madrid nas pessoas de Diego Torres e Iker Casillas, por exemplo. As histórias canalhas que espalharam na imprensa – sendo o putativo choro, a mais famosa – confrontam-se – agora – com o ridículo.

O tempo também tem muita força. E chegado o final da época em que foi despedido do Chelsea, José tem a maior promoção da sua carreira desportiva. Ainda não fez nada e José Mourinho já ganhou. Porque treinar o ManU é o ponto mais alto da carreira de qualquer treinador.

Foi esta semana publicado o estudo anual da KPMG sobre a valorização dos maiores clubes de futebol: no topo ex-aequo com o valor de uns € 2,9 mil milhões situam-se precisamente o ManU e o Real Madrid, sendo que em anos passados o Real Madrid seguia destacado. Este impressionante número, não obstante, deve ser confrontado com o valor da NIKE de uns € 92,5 mil milhões ou seja mais de 30 vezes o valor do ManU ou do Real Madrid. Parece evidente que o valor dos clubes de futebol – enquanto produtores de conteúdos – só poderá crescer.

A dinâmica de crescimento económico dos clubes da PREMIER LEAGUE é avassaladora, fruto do seu êxito competitivo e correspondentes direitos televisivos. Se o Real Madrid tem uma maior franquia mundial – indicado, por exemplo, por uma maior presença no FACEBOOK (88 milhões de seguidores contra 69 milhões no ManU) – os direitos televisivos da PREMIER são incomparavelmente mais interessantes do que em Espanha. Por exemplo, estimo que o Real Madrid no triénio 2016/2019 receba por época € 148 milhões em direitos televisivos e o ManU € 235 milhões, ou seja mais quase € 90 milhões por ano.

Por outras palavras, os êxitos desportivos e o historial do Real Madrid na Champions será – economicamente – contrabalançado pelos gigantescos direitos televisivos no Reino Unido. A PREMIER já atrai os melhores treinadores e será uma questão de tempo até que aí joguem os “bola de ouro”.

Apesar dos fracassos desportivos dos últimos três anos a brutal herança de Sir Alex coloca o ManU como o grande beneficiário do êxito económico da PREMIER LEAGUE

Alguns elementos estatísticos são úteis para ilustrar as grandes questões que se colocam (os valores são da época de 2014 – a última com dados comparáveis).

 

ManU

REAL

MADRID

CHELSEA ATL.MAD
EQUITY (€ m)    622 370 -829 24
TOTAL DE CUSTOS

(€ m)

380 440 340 150
RESULTADO LÍQUIDO (€ m) 81 69 18 4
ESPECTADORES POR JOGO 75.207   71.000 42.000 45.000
UTILIZAÇÃO DO ESTÁDIO (%) 99,3 83,7  98   84,2
RECEITA POR JOGO

(€ m)

9,6 9,1 6,9 2,9
RECEITA POR LUGAR  (€ ) 61,04   —- 78,28 23,1
CUSTO POR PONTO GANHO (€ M) 5,9 5,1   4,1 1,7

 

A tabela compara quatro clubes, dois ingleses e dois espanhóis: Manchester United, Real Madrid, Chelsea e Atlético Madrid. Sendo o objetivo a comparação dos dois maiores gigantes pareceu interessante incluir o anterior clube de José bem como o Atlético de Madrid, porventura o clube mais bem gerido na Europa neste momento.

O ManU apresenta métricas financeiras claramente superiores ao Real Madrid. Tem um valor dos capitais próprios (equity) de cerca do dobro, resultado líquido cerca de 50% superior e receitas do estádio de mais € 500.000 por jogo. Curiosamente, até no número de espectadores por jogo o ManU sai na frente – uns impressionantes 75.207 assistentes por jogo enchendo em 99,3% a capacidade do estádio. No Bernabéu a assistência média por jogo é de cerca de 71.000 espectadores enchendo a capacidade em 83,7%.

Apesar de gastar menos do que o Real Madrid o ManU perde na métrica Custo por ponto ganho. O Real Madrid gastou € 5,1 milhões por ponto ganho e o ManU € 5,9 milhões. Mas aqui a comparação com o Atlético Madrid é avassaladora – € 1,7 milhões por ponto ganho.

O ManU tem uma maior capacidade financeira do que o Real Madrid e infinitamente superior ao Chelsea, já para não mencionar o Atlético Madrid. Mas como se viu nos últimos três anos, gastar não significa ter resultados. Na boa administração ganha a larga distância o Atlético de Madrid. Ao ManU não lhe falta capacidade financeira para investir em talento futebolístico mas, sim, critério e liderança.

É neste contexto que José Mourinho chega ao ManU. Um clube poderosíssimo – porventura o maior do Mundo – sedento de resultados desportivos.

É preciso investir bem e ganhar. Mas penso que José, na sua infinita e saudável ambição, pretenderá mais do que isso. Terá os “impossíveis” recordes de Sir Alex na mira e quiçá ultrapassar. Why not?

All the best José Mourinho Félix.

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  1. JOSÉ MOURINHO JÁ GANHOU – atualizado | Arma/Crítica - […] Publicação original: 29 de maio de 2016 […]

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