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JOSÉ MOURINHO JÁ GANHOU – atualizado

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Publicação original: 29 de maio de 2016
Atualização: 02 de agosto de 2016

O segredo mais mal guardado do Mundo já foi revelado. José Mourinho assinou contrato com o Manchester United por três anos.

O que tem que ser tem muita força. E o curriculum de vencedor nato de José adequa-se que nem uma luva às necessidades prementes do ManU. Imagino como devem estar tristes os mestres da intriga em Madrid nas pessoas de Diego Torres e Iker Casillas, por exemplo. As histórias canalhas que espalharam na imprensa – sendo o putativo choro, a mais famosa – confrontam-se – agora – com o ridículo.

O tempo também tem muita força. E chegado o final da época em que foi despedido do Chelsea, José tem a maior promoção da sua carreira desportiva. Ainda não fez nada e José Mourinho já ganhou. Porque treinar o ManU é o ponto mais alto da carreira de qualquer treinador.

Foi esta semana publicado o estudo anual da KPMG sobre a valorização dos maiores clubes de futebol: no topo ex-aequo com o valor de uns € 2,9 mil milhões situam-se precisamente o ManU e o Real Madrid, sendo que em anos passados o Real Madrid seguia destacado. Este impressionante número, não obstante, deve ser confrontado com o valor da NIKE de uns € 92,5 mil milhões ou seja umas mais de 30 vezes o valor do ManU ou do Real Madrid. Parece evidente que o valor dos clubes de futebol – enquanto produtores de conteúdos – só poderá crescer.

A dinâmica de crescimento económico dos clubes da PREMIER LEAGUE é avassaladora, fruto do seu êxito competitivo e correspondentes direitos televisivos. Se o Real Madrid tem uma maior franquia mundial – indicado, por exemplo, por uma maior presença no FACEBOOK (88 milhões de seguidores contra 69 milhões no ManU) – os direitos televisivos da PREMIER são incomparavelmente mais interessantes do que em Espanha. Por exemplo, estimo que o Real Madrid no triénio 2016/2019 receba por época € 148 milhões em direitos televisivos e o ManU € 235 milhões, ou seja, mais quase € 90 milhões por ano.

Por outras palavras, os êxitos desportivos e o historial do Real Madrid na Champions será – economicamente – contrabalançado pelos gigantescos direitos televisivos no Reino Unido. A PREMIER já atrai os melhores treinadores e será uma questão de tempo até que aí joguem os “bola de ouro”.

Apesar dos fracassos desportivos dos últimos três anos a brutal herança de Sir Alex coloca o ManU como o grande beneficiário do êxito económico da PREMIER LEAGUE.

Alguns elementos estatísticos são úteis para ilustrar as grandes questões que se colocam (os valores são da época de 2015).

ManU

REAL

MADRID

CHELSEA ATL.MAD
EQUITY (€ m)    672 412 -981 23
TOTAL DE CUSTOS

(€ m)

377 488 426 151
RESULTADO LÍQUIDO (€ m) 42 63 -43 23
ESPECTADORES POR JOGO 76.000   73.000 43.000 45.000
UTILIZAÇÃO DO ESTÁDIO (%) 99,4 86,5  99,4   84,7
RECEITA POR JOGO

(€ m)

11,8 10,7 7,8 3,2
RECEITA POR LUGAR  (€ ) 74,67   —- 82,25 22,9
CUSTO POR PONTO GANHO (€ M) 5,4 5,3   4,9 1,9

A tabela compara quatro clubes, dois ingleses e dois espanhóis: Manchester United, Real Madrid, Chelsea e Atlético Madrid. Sendo o objetivo a comparação dos dois maiores gigantes pareceu interessante incluir o anterior clube de José bem como o Atlético de Madrid, porventura o clube mais bem gerido na Europa neste momento.

O ManU apresenta métricas financeiras claramente superiores ao Real Madrid. Tem um valor dos capitais próprios (equity) cerca do dobro, resultado líquido similar mas receitas do estádio de mais € 1 milhão por jogo. Curiosamente, até no número de espectadores por jogo o ManU sai na frente – uns impressionantes 76 000 assistentes por jogo enchendo em 99,4% a capacidade do estádio. No Bernabeu a assistência media por jogo é de cerca de 73 000 espectadores enchendo a capacidade em 86,5%.

Apesar de gastar menos do que o Real Madrid o ManU perde na métrica Custo por ponto Ganho. O Real Madrid gastou € 5,3 milhões por ponto ganho e o ManU € 5,4 milhões. Mas aqui a comparação com o Atlético Madrid é avassaladora – € 1,9 milhões por ponto ganho.

O ManU tem uma maior capacidade financeira do que o Real Madrid e infinitamente superior ao Chelsea, já para não mencionar o Atlético Madrid. Mas como se viu nos últimos três anos, gastar não significa ter resultados. Na boa administração ganha a larga distância o Atlético de Madrid. Ao ManU não lhe falta capacidade financeira para investir em talento futebolístico mas, sim, critério e liderança.

É neste contexto que José Mourinho chega ao ManU. Um clube poderosíssimo – porventura o maior do Mundo – sedento de resultados desportivos.

É preciso investir bem e ganhar. Mas penso que José, na sua infinita e saudável ambição, pretenderá mais do que isso. Terá os “impossíveis” recordes de Sir Alex na mira e quiçá ultrapassar.

Why not?

All the best José Mourinho Félix.

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