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GERINGONÇA AGRADECE A RENDEIRO

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Recebi ontem num hotel de luxo, em Lisboa, a visita de cortesia dos deputados João Galamba e Mariana Mortágua.

Quiseram estes deputados, em representação da geringonça, agradecer na minha pessoa o alto contributo do BPP para o Orçamento de 2017. Lembraram ainda que este meu grande contributo para os interesses estratégicos do que é hoje a geringonça não foi o primeiro. Já em 2008 a crise do “banco dos ricos” foi explorada ad nauseum para esconder os problemas bem mais graves dos outros Bancos – a CGD entre muitos outros. E eu apresentado como a ovelha negra (Ulrich dixit) de um odioso mundo da Alta Finança, uma imagética que tantos dividendos políticos deu para a vitória eleitoral de Sócrates em 2009.

Em nome de tudo isto, Galamba e Mortágua disseram o “nosso muito e muito obrigado”. Só faltou mesmo dizerem o “desculpe qualquer coisinha” mas suponho que isso já seria pedir demais.

Como é conhecido, são contabilizados no orçamento de 2017, em contabilidade nacional, € 450 milhões de euro que serão recuperados da massa insolvente do BPP. Ficará, assim, reduzida a zero, a utilização de dinheiro dos contribuintes no BPP. Espantosamente será o BPP um dos raros Bancos onde os contribuintes acabarão por ter um ganho apreciável tendo em conta os impostos pagos.

Este contributo do BPP para o orçamento de 2017, de € 450 milhões (cerca de 0,2% do PIB), vale mais do dobro do novel imposto sobre o património. Terá, assim, um papel chave na reposição de direitos e rendimentos no ano que se avizinha. Um contributo decisivo para o êxito político da geringonça e a sua cavalgada para uma nova maioria governativa.

Conforme tive o prazer de dizer aos senhores deputados, estes agradecimentos, sendo muito gentis, eram completamente desnecessários.

A Bem da Nação, uma pessoa – sobretudo se for banqueiro – deve aceitar todos os insultos (especialmente se anónimos nas redes sociais); deve receber de sorriso nos lábios os agravos de investidores que receberam gigantescas mais-valias dizendo que tudo perderam; deve considerar normal as perseguições dos reguladores que acusam para não serem acusados das suas próprias falhas; deve, enfim, aceitar todas as mentiras dos auditores e tutti quanti pois, invertebrados, foram capturados pelos reguladores e estiveram na primeira linha da sua defesa.

Em resumo, a Bem da Nação, uma pessoa deve apenas mostrar a sua felicidade por contribuir para o Bem comum.

Porque, na verdade, quem largamente contribui para os cofres do Estado deve ser tratado a pontapé e, se possível, espoliado. Por isso, contribuir de forma tão substantiva para o Orçamento e ainda estar vivo é uma honra que supera qualquer agradecimento, mesmo que puramente institucional.

A Bem da Nação, quem agradece sou eu.

  1. Luis Trindade says:

    Caro Dr. João Rendeiro,
    Sempre tive por si uma admiração e considero que a falência do BPP, se deveu a factores externos que não má gestão. Esta admiração vem sido esbatida pela forma como ultimamente destila uma ‘verve de rancor’ sobre pessoas que na minha opinião nada têm que ver com a sua actual situação, da mesma forma que ataca estas pessoas com alguns traços de vingança pessoal considero que perde a sua razão e a minha admiração pois estas pessoas devem, e bem defender-se das suas acusações e isso na minha opinião não lhe fica bem.
    A ‘geringonça’ como diz na minha humilde opinião está a funcionar e bem, goste-se ou não, tal como os poderes institucionais (Presidência/Governo).
    Concordo que se deva defender de quem o colocou nesta situação mas lembre-se que os seus ‘pares’ nunca o defenderam, pelo menos em praça publica, e esses foram alguns dos que o levaram a este desfecho… Não sei se me consegui expressar lingusticamente mas na prática continuo a ter uma enorme admiração por si e pelo excelente trabalho que desenvolveu no BPP, e continuo a considerar que o Senhor +é um excelente banqueiro e que foi traído por dois factores as acções e os seus ‘pares’.
    Um abraço sincero
    Luis Trindade

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