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A NACIONALIZAÇÃO DO NOVOBANCO

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A incompetente gestão da venda do NOVOBANCO pelo Banco de Portugal deixa Costa & Centeno numa camisa de sete varas perdendo por ter cão e por não ter.

O NOVOBANCO não será vendido nem nacionalizado. Nas tradicionais águas mornas portuguesas será mantido “em resolução” por mais dois anos. Mais um problema adiado.

A fortíssima coligação negativa que se organizou contra a venda do NOVOBANCO esteve próximo de ganhar pois juntou um enorme saco de gatos que jamais almoçariam juntos.

Pela nacionalização DEFINITIVA estiveram, desde logo, os “IDEOLÓGICOS”. Pessoas que defendem o controlo estatal dos meios de produção muito especialmente da banca. Louçã & Mortágua estão evidentemente na linha da frente desta fação da coligação negativa. O seu racional – de que discordo em absoluto, bem entendido – tem coerência e, a acontecer, seria um passo de gigante na sua agenda de repudiar o EURO e negar a dívida de Portugal ao exterior.

Pela nacionalização, mas TEMPORARIA, estão também os “BEM- INTENCIONADOS”. Pessoas como Rui Rio, Medina Carreira ou Manuela Ferreira Leite e até o LEX do FT, argumentam, no essencial, pela valorização do ativo a prazo e citam o modelo LLOYDS – liderado pelo meu camarada Horta Osório – como o caso a seguir.

Pois, se o LLOYDS pode recuperar o valor económico para o Estado Inglês porque é que o NOVOBANCO não o poderia em Portugal?

O salto lógico equiparando o NOVOBANCO ao LLOYDS é verdadeiramente mortal mas os “bem-intencionados” não lhe parecem atribuir valor.

Desde logo, o LLOYDS sempre foi um banco cotado em Bolsa e foi, oportunamente, adequadamente capitalizado pelo Estado Inglês. A economia inglesa não é a economia portuguesa e à medida que a economia inglesa recuperou o Estado Inglês foi, passo a passo, vendendo a sua posição no mercado de capitais numa gestão muito casuística e flexível. Mantém hoje cerca de 5% para serem vendidos quando Tesouro Britânico considerar oportuno.

Em suma, só por completo desconhecimento se pode equiparar o NOVOBANCO ao LLOYDS.

A terceira componente da coligação negativa e pela nacionalização, definitivamente TEMPORARIA, são os “MANHOSOS” – magnificamente representada por José Maria Ricciardi. São as entidades e seus “advisers” e comissionistas que têm interesse na compra do NOVOBANCO a prazo.

Não têm hoje condições de se posicionar para um consórcio de compra, ainda mais porque a qualidade dos ativos é incerta. Faz todo o sentido para os “manhosos” travar a venda imediata, chamar o Estado para “limpar” o ativo numa “nacionalização temporária” e influenciar o processo de venda quando os ventos virarem de feição.

Este saco de gatos está no curtíssimo prazo unido no essencial – que não haja venda. Mas mal tal desiderato alcançado, as três facções logo se lançariam numa mortal luta.

A gestão pelo Banco de Portugal deste processo foi, mais uma vez, lamentável. Estou mesmo a ponderar estabelecer um PRÉMIO com júri internacional para Carlos Costa, Máximo e Cia para quando fizerem qualquer coisa bem feita.

Vejamos.

Carlos Costa disse que tinha estabelecido uma separação das áreas financeira e não-financeira do GES – o chamado “ring fence” – e que área financeira não seria afetada e estava adequadamente capitalizada. Disse isso mesmo aos então Presidente da República e Primeiro Ministro, os quais fizeram, em boa fé, públicas declarações erróneas prejudicando milhares de investidores.

Falhado o “ring fence” vem a Resolução e a separação dos supostos ativos bons dos ativos maus. Os ativos bons – o NOVOBANCO – foi capitalizado adequadamente pelo Fundo de Resolução e foi rejeitada a estratégia de Vítor Bento no sentido de recuperar o ativo com tempo.

Foi iniciado um processo de venda imediata e logo aí se conclui que o Banco de Portugal tinha errado nas contas da capitalização do NOVOBANCO e vai daí toca a despachar uns € 2 mil milhões de obrigações mais uns € 800 milhões de crédito para o “banco mau” fazendo um aumento de capital indireto do NOVOBANCO – uma operação que levaria à prisão dos seus autores num país civilizado.

Depois e apesar destas manobras, a operação de venda do NOVOBANCO foi cancelada. A explicação pública para este cancelamento foi nula até hoje. O que se julga saber é que nessa fase as ofertas terão sido consideradas baixas por não superarem os € 2,2 mil milhões. Um verdadeiro luxo para os dias de hoje. Mas onde está a explicação para este cancelamento? E onde estão as perguntas de jornalistas e deputados?

Em todo este processo a informação pública “on Record” é próximo do nulo, reinando as “fugas de informação” seletivas a comando das pessoas do costume. Estava prevista uma comissão de acompanhamento do processo de venda mas nunca foi constituída por falta de vontade do BdP e ausência de liderança do Ministério das Finanças.

E assim chegamos ao tempo presente num quadro deplorável. Os únicos candidatos são os tais “fundos abutre” que só se admite como bons quando compram dívida portuguesa.

Na ocasião fazem o seu trabalho – para o qual são pagos pelos investidores. Procuram retornos de dois dígitos minimizando os riscos de perda de capital. Uma pergunta interessante é: porque é o Estado português não consegue fazer o mesmo com a CGD?

Tudo visto e somado LONE STAR vai melhorar a sua proposta e vai oferecer € 1 pelo NOVOBANCO, eliminar o potencial de “up-side” para o Fundo de Resolução e prescindir das garantias do Estado Português. Uma proposta melhorada, sem dúvida.

Chegará para ganhar?

A nacionalização, definitiva ou temporária, enfrenta, por sua vez, obstáculos muito importantes na Europa, em particular no BCE. O BCE tem feito tudo para separar a dívida soberana do Balanço dos bancos. A nacionalização do NOVOBANCO seria um importante passo na direção errada e seria muito mal percecionada no BCE.

O rating de Portugal pela DBRS – uma fantasia do BCE – estaria em risco e o prémio de risco em Portugal levaria mais um forte abanão.

Tenho poucas dúvidas que o “coração” de Costa & Centeno esteja alinhado com a coligação negativa pela nacionalização. Mas também tem sido muito clara a sua  imensa prudência em tudo o que toca a compromissos europeus. Acresce que Centeno & Felix gastaram muito do ” good will ” que tinham na DGCom e no BCE com a debacle da CGD . A demissão  de Domingues e , especialmente , dos nao-executivos que tinham sido diretamente convidados por Mario Draghi deixou estilhaços que terão um preço a pagar  Em resumo Costa & Centeno jamais arriscarão um confronto com o BCE o dossier NOVOBANCO  .

Por tudo isto creio – como na maior parte das vezes em política – que se caminhará pela linha de menor resistência. Costa já deu demasiado ” corda ” à coligação pela nacionalização para recuar sem elevados danos mas vender ao ” fundo abutre ” tem custo politico dificil de suportar .

O prazo de venda do NOVOBANCO no quadro da Resolução será prolongado por dois anos.

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