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OS LESADOS DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA MONTEPIO

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São 650.000 os Associados da Mutualista do Montepio Geral. Vão ter, no mínimo, uns 50% de perca nas suas aplicações de poupança para a reforma. São famílias pobres nas franjas da bancarização. Será, de longe, o maior escândalo da banca portuguesa.

Quem dará a cara para este monumental imbróglio?

Infelizmente só vou repetir o que já escrevi há muito tempo. Uma questão que afeta de forma profunda – financeira e emocionalmente – centenas de milhares de famílias portuguesas.

As perdas financeiras são muito desagradáveis. Mas quando afetam os ricos – os outros – parecem algo esotérico. Mas quando afetam massivamente os pobres ou remediados, ainda por cima numa instituição asséptica “de esquerda”, isso é algo intolerável.

Mas os dados estão lançados e não há já nada a fazer. É uma questão de tempo. E mesmo quanto mais tempo durar pior para os desgraçados que não retirarem entretanto as suas poupanças da Associação Mutualista. A diluição das perdas por um número menor de associados aumenta exponencialmente as percas dos que ficarem. Mais vale perder os juros do que uma grande parte do capital.

A desmutualização do Banco Montepio com mudança de nome e forte aumento de capital está a ter uma desesperada resistência de Tomás Correia e a sua Associação Mutualista. É verdadeiramente uma luta de vida ou morte e daí estarem a dar tudo por tudo.

Ou melhor tudo por nada.

Porque a alternativa pura e simplesmente não existe. A Associação Mutualista pode evidentemente bloquear a mudança de nome do Banco Montepio. Pode bloquear o seu aumento de capital. Mas estará a “brincar com o fogo” porque pode um dia acordará com uma “Resolução” e a desesperada estratégia do tudo ou nada, dará nada.

Evidentemente, este imbróglio é um terreno extremamente sensível para a geringonça. A implosão de um banco da economia social afetando 650.000 famílias teria efeitos telúricos a nível social e político.

Daí que o BdP tenha desenhado um “ring fence” – onde se já ouviu isto – entre o Banco e a Associação Mutualista.

O Banco mudará de nome e fará um aumento de capital ou até se fundirá com outro. Generosamente admitindo que haja quem esteja interessado em por um cêntimo no NOVOBANCO Montepio.

Mas isto exigirá uma menos – valia de uns 1,5 mil milhões – pelo menos – na Associação Mutualista por imparidade direta. Esta perda, que representa cerca de um terço do capital total da Associação Mutualista de uns 4,7 mil milhões, será amplificada pelos efeitos indiretos.

Na verdade cerca de 90% do património da Associação Mutualista está aplicado no Banco Montepio e a separação patrimonial das duas entidades terá graves prejuízos para os Associados.

O Banco Montepio de uma maneira ou outra será salvo.

Os 650.000 associados da Mutualista (também clientes do Banco) sofrerão pesadas perdas.

Quem acudirá a estes lesados?

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