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Passos Coelho e a tragédia…Portuguesa

1 comment

Passados trinta dias aí está o choque com a realidade. A Moody’s fez o downgrade da dívida soberana portuguesa para “lixo” seguindo-se em breve os bancos e as principais empresas.

A formação do Governo

Em meu entendimento Passos Coelho formou um governo bem acima das expectativas. Fez escolhas acertadas na competência pessoal dos Ministros e fez uma clara mudança de geração bem expressa na inspirada escolha da Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.

Escolheu um magnífico Ministro das Finanças, sem dúvida um dos portugueses melhor preparados para este difícil lugar. E arriscou na Economia escolhendo dois excelentes académicos como Ministro e Secretário. Esta escolha faz lembrar Daniel Bessa e a sua penosa passagem pelo governo mas há que dar o benefício da dúvida e desejar o melhor.

Um ponto porventura ainda não muito analisado está no papel muito importante de Carlos Moedas como Secretário na dependência directa do Primeiro-Ministro para os assuntos do acordo Troika. A imprensa anuncia um staff de trinta pessoas e eu não deixo de pensar no que me parece um óbvio risco de competências de Carlos Moedas com o Ministro das Finanças. Veremos o que o futuro nos reserva.

“Um murro no estômago”

O Primeiro-Ministro reagiu ao downgrade da Moody’s com saudável franqueza. Foi claramente apanhado desprevenido assim como a generalidade das pessoas em Portugal. Existe até um certo sentimento de indignação de que o Presidente da República se fez eco. Um presidente executivo de um banco confundiu os termos do euro-dolar, como se neste momento não fosse muito melhor para o dólar desvalorizar do que subir. Um comentador de fino recorte apelidou os “raters” de “ bastardos”.

O Mundo está a ser injusto para Passos Coelho e a sua equipa. Não tenho dúvida de que pretende aplicar a teoria do Bom Aluno e colocar Portugal numa trajectória sustentável. O problema é a realidade e de nada vale matar o mensageiro.

Mais do que chamar nomes às pessoas uma imprensa séria deveria interrogar-se sobre as razões e as consequências. Quem se der ao trabalho de ler “O default inevitável?” que escrevi há mais de um ano e pode ser consultado neste blogue não tem qualquer surpresa. Assim como não se surpreenderá com a análise que faço dos principais bancos portugueses numa história que vai acabar tristemente mal.

A questão é outra. Que implicações terá um cenário de default? O problema aqui   é que a capacidade de decisão autónoma é extremamente limitada pois Portugal tem a capacidade de negociação de um sobre endividado e  nos confrontamos com um processo de decisão caótico a nível europeu – em larga medida responsável pela decisão de downgrade.

A alternativa é iniciar um planeamento sério de um cenário de “default controlado” onde uma negociação dura permitisse por um lado que nos mantivéssemos no Euro e por outro que o rácio dívida/PIB se remeta para níveis sustentados. Dito de outra forma Passos Coelho terá que ter “estômago” para um cenário oposto ao Bom Aluno – o mau aluno que deve tanto dinheiro que se tornou pessoa importante.

 

  1. Joao Jardine says:

    Dr João Rendeiro

    Para uma agência de rating, o progrma de governo e a composição do mesmo mais não é que uma versão Sócrtates 2.0.
    As agências consideram que o FMI, o BCE e a Comissão demasiado enfeudados a critérios políticos; como erraram com alguma amplitude na década passada, estão a recuperar o tempo e a credibilidade ameaçada.
    O rating da Moody’s não diverge do que voçê e outros já publicitaram.
    Não vale a pena matar o mensageiro
    Cumprimentos
    JJ

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