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Man Meets Woman e o futuro do Euro

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Reúnem-se hoje em Paris o Presidente Sarkozy e a Chanceler Merkel para discutir o futuro do euro. Será uma das reuniões mais importantes das suas carreiras políticas.

Algumas notas impressionistas dão um pouco de background. Neste momento 75% dos alemães desaprovam a gestão da Chanceler na crise do euro e mais de 50% pretendem que a Grécia saia da moeda única. Coincidentemente 45% dos franceses  também o pretendem e as sondagens mostram o Presidente a perder para François Hollande no segundo turno nas próximas presidenciais.

Por seu turno o BCE viu-se forçado a comprar cerca de € 22 mil milhões de dívida soberana na passada semana elevando para cerca de € 100 mil milhões o seu stock. Parece evidente que vai subir muito mais. Por sua vez o actual financiamento do Bundesbank ao Eurosistema supera os € 340 mil milhões  quando, por exemplo, o Banco Central da França é um devedor líquido.

Noutra dimensão, como mostrei noutro post,  o AAA da França está claramente em risco colocando claramente em causa toda a fórmula construtiva do EFSF.

Finalmente, segundo os dados do último teste de stresse os 90 maiores bancos do euro terão que refinanciar nos próximos 24 meses  a astronómica quantia de € 5,4 trilhões, o que mostra a absoluta necessidade de confiança no Eurosistema.

Uma coisa parece evidente nunca a Chanceler se apresentou numa posição de força tão grande perante um tão fraco Presidente da França mas a questão é bem mais alta pois está em verdadeiro escrutínio o futuro do euro. Será sem dúvida a Alemanha a ditar as suas condições mas a posição onde estamos é muito complicada.

Com a compra da dívida soberana italiana o BCE passou o Rubicão. Ficou claro que os € 440 mil milhões do EFSF não serão suficientes e a emissão de obrigações europeias também não pois dependem totalmente do AAA da França (em risco) e da vontade (inexistente) da Alemanha assumir praticamente sozinha toda a dívida soberana do euro.

A única alternativa é bem simples . O BCE tem evidentemente a possibilidade de emitir moeda infinitamente e pode financiar ilimitadamente o  EFSF. Obviamente isto significa QE ( Quantitative Easing ) que os alemães tanto abominam . Até lá o Sr. Trichet continuara com as suas piruetas em torno da esterilização monetária.

 

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