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À beira do precipício a Grécia deu um passo a frente

1 comment

Como já contei neste blogue estive em Junho na Grécia a fazer um “assessement” das probabilidades de default. A minha conclusão na altura como referi foi que nesse momento se não daria um passo no abismo e assim foi.

Ficou também claro que a elite Grega vê o problema mais como um problema da Alemanha do que um problema da Grécia. Por outras palavras, pensa que um default levara à desintegração do Euro e portanto pode chantagear os credores internacionais pois com mais reunião ou mais cimeira, menos memorando ou mais documento lá ira recebendo mais cheques.

É uma estratégia completamente oposta à portuguesa. Em Portugal estamos a apostar em ser o “bom aluno” e cobrir os buracos monumentais da administração (?) Sócrates/Teixeira com aumentos de receita. No entanto, ainda mal começou o “show” e já está montado o cerco ao Ministro Gaspar e portanto veremos quanto isto vai durar.

Na Grécia, com a economia a contrair já 5% este ano não parece haver espaço político para medidas adicionais e foi isto mesmo que Venizelos disse à Troika na 6a feira passada. Resta a estratégia do “mau aluno” – se não derem mais dinheiro haverá default. Não tenho dúvidas que haverá default antes do fim do ano.

No meu entendimento isto levará a uma ruptura na aliança EU/BCE/FMI. Não vejo como seja possível o FMI dar mais dinheiro sem condições pois o seu dinheiro é de accionistas como os emergentes e asiáticos que não têm nada a ver com o tema e acabam até de ser preteridos na corrida para MD do Fundo.

Neste contexto o eixo alemão/ BCE terá que se confrontar com o inevitável default grego e com as evidentes consequências para restante dívida soberana europeia e seus bancos. O FMI estima uma necessidade de capital para o conjunto dos bancos europeus de € 200 mil milhões – um montante apesar de tudo gerível dependendo dos países.

Uma vez que a Sra. Merkel revela uma desesperante incapacidade de liderança para reconhecer o inevitável e seguir em frente as nuvens negras vão-se acumulando e teme-se o pior. Enquanto isto a classe política – revelando a mais pura ignorância e incapacidade para ler as realidades – vai culpando o “short selling” e os “mercados”.

Veremos se num acesso inverosímil de clarividência algum jornalista pergunte um dia a um destes políticos “afinal quem são e onde estão estes mercados?”

 

  1. Pedro Lisboa says:

    O default da Grécia é garantido,sendo apenas uma questão de tempo.
    As consequências para os bancos europeus que estão “entalados” com dívida grega,é que vão ser dramáticas.
    O cenário mais provável é de que os 200 mil milhões não cheguem para evitar o colapso de muitos bancos europeus.

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