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Um político ocasional

1 comment

Já foi bastante glosado um comentário de Mário Soares apelidando o Ministro das Finanças Vítor Gaspar com o cognome em epígrafe.

Evidentemente na Liga de políticos da craveira de Mário Soares praticamente todos são “ocasionais”. Nesta Liga de políticos que resistem a todas as intempéries e renascem das derrotas mais humilhantes poucos estão: Bill Clinton, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Felipe Gonzalez, Tony Blair…, não há, infelizmente, muitos mais e talvez seja este o maior deficit dos nossos tempos.

Mas Mário Soares não se referia a isto. Na sua argúcia, lançou uma farpa sugerindo que a carreira política de Gaspar (e as políticas que protagoniza) será uma espécie de meteorito que rapidamente se evaporarão.

No meu entendimento esta farpa é tão certeira quanto errada.

A farpa é certeira no sentido em que o futuro político de Gaspar é tudo menos certo. Contrariamente a outros sistemas políticos onde um Ministro das Finanças é alguém previamente testado na batalha política, em Portugal temos virgens políticas que aprendem (quando aprendem) “on the Job”. Neste sentido o cerco político já montado a Gaspar ainda mal iniciou a sua jornada seria premonitório.

Mas a farpa de Soares é errada.

O Ministro das Finanças grego Vanizelos, até esta semana na linha de pensamento de Soares, pensou que podia ir “empurrando com a barriga” que o dinheiro internacional chegaria de uma forma ou de outra. Puro engano, a Alemanha não esta disponível para cheques em branco e as preparações para um default grego estão em estado avançado. Na 25a hora  a Grécia anuncia as medidas mais duras mas duvido que vá a tempo. Frankfurt não tem já confiança em Vanizelos e não vejo como dar a volta a isso.

Há muito tempo que penso que a probabilidade de default em Portugal é superior a 50%. Há no entanto um dado novo que melhora essas probabilidades a favor de Portugal. Os nossos credores internacionais, a começar pelo BCE e o BundesBank, têm agora uma pessoa em Portugal em quem confiam em absoluto: Carlos Gaspar.

É por isso que o político acidental pode durar muito mais do que se pensa. Atrevo-me mesmo a mais. A considerar um grave erro político o PS e as suas figuras – a começar por Mário Soares – tentarem fragilizar o Ministro das Finanças pois isso baixa a sua própria credibilidade no único ponto relevante hoje: os credores internacionais.

 

  1. Daniel Geraldes says:

    E ainda temos o Carlos Constâncio!Somos um país como muita sorte.Mas verdade seja dita ninguem tem paciência para ouvir uma conferência de imprensa do Carlos Gaspar e até os politicos profissionais tem dificuldades.

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