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O Terceiro Resgate de Portugal

2 comments

Andou bem o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho quando admitiu, com as nuances óbvias, um segundo resgate para Portugal.

Quem se der ao trabalho de reler posts anteriores percebe que eu tinha indicado que o primeiro resgate deveria ter sido superior a € 100 BN. Por outro lado, é perfeitamente evidente que Portugal não vai voltar aos mercados em 2013.

Conjugando os dois factores é perfeitamente previsível que o segundo resgate seja inevitável. Andou pois bem o PM ao colocar na agenda “ahead of the curve” o tema e nisso se diferencia pela positiva da generalidade dos políticos europeus que se distinguem por travar as “batalhas de ontem”, chegando tarde e a más horas às necessárias decisões.

Relembre-se a enorme celeuma em torno do “short-selling” com os reguladores europeus a banirem este trade e a diaboliza-lo como “responsável” (?) da forte queda dos bancos. Hoje já ninguém fala nisso sendo perfeitamente evidente que os problemas dos bancos não têm nada que ver com isto.

Notemos o enorme flop que têm sido os testes de stress aos bancos pela total falta de credibilidade dos pressupostos e resultados em quem ninguém acreditou. Agora vêm os reguladores à pressa dizer que 16 bancos afinal têm que aumentar urgentemente o capital – sendo que nenhum destes bancos é francês. Veio logo de seguida uma fonte da Comissão Europeia a dizer que seriam mais de 16 bancos. Quem se entende no meio deste caos?

A completa falta de liderança política na União Europeia está, assim, a agravar semana a semana a confiança de tal forma que ainda agora em Washington os líderes dos BRICS não deixaram de manifestar a sua preocupação pelo contágio global nas indecisões do Euro.

Evidentemente, enfrentar as duras realidades não é fácil. Mas toda a gente sabe que a Grécia fará um default de 70 a 80% da sua dívida e que em consequência os bancos europeus se têm que recapitalizar com dinheiros públicos ou privados. Atrasar este processo como bem sublinhou o FMI está no centro da queda de confiança.

Por outro lado as coisas não acontecem por acaso e a indecisão europeia não se pode atribuir à falta de inteligência, nomeadamente alemã. A questão é que a Alemanha tem dois pontos óbvios o problema é que são contraditórios.

O primeiro é, como já sublinhei várias vezes, que lhe interessa um euro menos valorizado para estimular a sua máquina de exportação. Portanto enquanto uns vêm na queda do euro um sinal de crise, a Alemanha – em privado – ri-se de satisfação. Portanto é absolutamente vital para a Alemanha manter no Euro os membros doentes pois sem eles o nível da moeda subiria para níveis que prejudicariam a máquina exportadora.

O segundo ponto é que a opinião pública alemã está pouco disponível para pagar os custos da manutenção dos doentes do euro a bordo. Pedem-se, assim, soluções “low cost”.

É, afinal, esta contradição o cerne da questão que impede uma solução eficaz.

Dando de barato um pesado default grego com ou sem saída do euro – embora me incline crescentemente para a ideia que a população grega, ela própria, exigirá contra a sua elite política e social a saída do euro – coloca-se então a questão do segundo resgate de Portugal.

Partindo da hipótese que sublinhei que interessa à Alemanha a manutenção de membros doentes no Euro a “low cost”, penso que Portugal não deve seguir um programa de austeridade a la greque. Isto é, devemos centrar muito mais em medidas que permitam o crescimento e menos numa austeridade “cega e horizontal”

O problema central neste contexto é como é que se muda em pouco tempo o sistema de preços e alocação de recursos dos bens não-transacionáveis a favor dos transaccionáveis. É justamente aqui, no meu entendimento, que entra o tema da TSU.

Uma forte queda da TSU financiada de múltiplas formas pela tributação dos bens não-transacionáveis equivaleria à necessária desvalorização interna. No entanto é também uma experiência em “social engeneering” de elevados e imprevisíveis custos políticos que o Governo já sinalizou não pretender atender.

Na ausência de um forte choque de desvalorização interna que mudasse a alocação de recursos em relativamente pouco tempo, parece inevitável que o gap de financiamento externo permanecerá negativo por muito mais tempo do que se pensa.

Assim sendo, sejamos claros: não será necessário apenas um segundo resgate mas um terceiro e um quarto.

 

  1. Antonio Almeida says:

    O PM ao preanunciar um possivel segundo resgate para Portugal, caso haja default na Grecia, admitindo que o existente de 78 Bis a tres anos e insuficiente, deveria sintonizar se com o CEF na possibilidade, meramente imaginaria e sonhadora de regressarmos aos mercados em 2013. Parece que uma coisa e evidente, 3 anos para os 78 Bis vao ser curtos. Certo?

  2. Pedro Lisboa says:

    Um terceiro resgate será inevitável,pois os 78 mil milhões do 1º resgate não chegam para 3 anos.
    Em 2012 vamos ter necessidade de um 2º resgate e como não vamos ter acesso aos mercados em 2013,teremos que recorrer a um 3º resgate.

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