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A propósito dos apertos de mão e das avaliações Troikianas

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Como é conhecido equipas de auditores externos estão desde o princípio deste mês, como consequência do acordo da Troika, a passar a pente fino as carteiras de crédito dos bancos. Os bancos portugueses estão completamente dependentes do BCE que se quer garantir com uma boa qualidade de balanço.

É um exercício que tem deixado os bancos à beira de um ataque e nervos pois vão saltar os “esqueletos no armário” que todos têm em Portugal – como no estrangeiro.

Outra questão terá a ver com a qualidade e profundidade de colaterais a garantir certos créditos. Um dos mais simples será a conta margem de acções onde o colateral serão títulos cotados em Bolsa, logo de fácil mensuração. A regra base nestes casos será que o valor de Bolsa deveria ser 130% do valor do crédito.

Mas as originalidades portuguesas teriam que encontrar alguma inovação nestas matérias. Li, assim, que Joe Berardo tem pronto para assinar um contrato onde presta garantias adicionais – mesmo assim altamente insuficientes – para os seus créditos mas este contrato não está assinado. Diz Berardo que deu um aperto de mão aos seus banqueiros que pelos vistos mais não poderiam pedir.

Imagino que estes apertos de mão estejam entre as garantias adicionais a que se referia Nicolau Santos num seu texto recente já aqui comentado. Outras garantias adicionais poderão ser, por exemplo, cartas de conforto de um banco a outro sobre certos créditos.

Que a importância de apertos de mão e quejandos possa ser muito mais relevante na economia portuguesa do que pensa foi-me sugerido por uma conversa de circunstância que ouvi num almoço.

Em resumo, uma pessoa que trabalha na função pública não tem contrato assinado mas, segundo afirmou (oh céus), tinha um aperto de mão dos seus superiores e portanto para si é como se estivesse assinado.

Qual a importância e validade – juridicamente nenhuma – destas putativas garantias adicionais fora de balanço?

Está bem de ver que para a análise Troikiana absolutamente nenhuma. Aguardemos as imparidades.

 

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