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Bancos portugueses necessitam de € 28,4 BN de capital

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As necessidades de recapitalização dos bancos portugueses como toda a gente já percebeu é muito superior aos € 7,78 BN indicados no exercício da EBA.

Desde logo, este número refere-se apenas aos quatro maiores bancos e evidentemente o BP irá determinar os requisitos de capital para o resto do sistema. É claro ainda que este número se refere a 30 de Setembro e entretanto se verificou uma importante deterioração nos preços da dívida pública.

No entanto já não serão estes os factores fundamentais a pressionar fortemente as necessidades adicionais de capital dos bancos. Refiro-me a três outros factores: a) ao gap dos fundos de pensão b) às imparidades de crédito/TROIKA e c) ao repricing do crédito à habitação.

É conhecido que o Estado está a negociar com a banca a transferência dos seus fundos de pensão para a Segurança Social. É igualmente conhecido que estes fundos de pensão têm uma componente muito importante de dívida pública sendo perfeitamente evidente que se terá que valorizar estes activos a preços de mercado tal como no exercício da EBA. Isto gerará um gap adicional no corredor de valorização dos fundos que estimo da ordem dos € 5 BN.

É também conhecido o exercício de revisão das carteiras de crédito em curso pelos Auditores supervisionados pela TROIKA. Considerando que o total de crédito às empresas em Portugal é de cerca de € 120 BN estimo que seja necessário provisionar cerca de 3% adicionais ou seja € 3,6 BN.

O elemento mais gravoso das necessidades de capital, no entanto, estará no repricing do crédito à habitação.

O Governador do Banco de Portugal Carlos Costa numa conferência na semana passada na AESE em Lisboa foi muito claro. Os bancos carregam nos seus balanços crédito à habitação com spread médio de 1% que jamais em horizonte próximo financiarão a si mesmo nestes termos.

Este importante mispricing acarreta uma significativa perda económica. Os bancos têm  duas possibilidades de suportar esta perda económica. Assumi-la – tal como está a ser preparada num pacote de € 30 BN com a CGD assumindo esta uma perda de 20% (vide  EXPRESSO) gerando assim uma liquidez de € 24 BN. Ou carregá-la no tempo e diluindo essa perda económica ao longo das maturidades do crédito.

Seja como seja a perda económica está lá como bem disse o Governador. Sabendo que o total do crédito à habitação é de cerca de € 120 BN uma perda económica de 20% daria cerca de € 24 BN. Irei considerar neste exercício metade deste valor.

Em resumo, os bancos portugueses necessitarão de um mínimo de € 15 BN mas idealmente € 30 BN para reocuparem plenamente as suas funções de financiadores da economia. Uma vez que grande parte deste montante será aportado pela CGD é possível que a linha de € 12 BN possa ser suficiente mas claramente não tem folga.

 

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