subscribe: Posts | Comments | Email

Excelente Serralves

1 comment

Teve lugar esta semana, no Porto, a reunião anual do Conselho de Fundadores da Fundação de Serralves a que muito me orgulho de pertencer.

Como sempre, esta Assembleia de mais de cem pessoas foi uma reunião com um clima especial. Não sei se pelo espírito natalício ou pela necessidade que – me apercebo – todos temos neste momento de nos “agarrar” a coisas positivas, a verdade é que esta reunião foi extremamente agradável.

Evidentemente, este clima positivo tem como pano de fundo uma gestão da Fundação que considero excepcional. O atual Conselho de Administração, presidido pelo Professor Braga da Cruz, tem sabido ajustar os custos mantendo um elevado padrão de qualidade e audiências.

No quadro de um estudo de sustentabilidade efectuado pela Escola de Gestão do Porto foram apresentados dados macro do impacto económico de Serralves notáveis. Para custos anuais de funcionamento em 2010 de cerca de € 10 milhões, o impacto direto e indireto no PIB foram mais de € 30 milhões, a criação de emprego 1,200 postos de trabalho e – mais espantoso – o impacto fiscal foi de cerca de € 10 milhões.

Considerando que a aportação pública para Serralves em 2010 foi de €4,1 milhões, isto significa que o Estado teve um balanço líquido positivo de cerca de € 6 milhões com Serralves. É difícil encontrar melhor exemplo de investimento do Estado na Cultura.

A reunião foi abrilhantada pela presença de um velho Amigo de Serralves o SEC Francisco José Viegas.

Devo dizer que não conheço pessoalmente o SEC mas fiquei extremamente bem impressionado pelo seu discurso. Revelou-se, o que já sabíamos, como um grande Homem de Cultura capaz de uma reflexão inovadora como a sua sugestão de que “…se aceite o que não se conhece” mas também com um claro entendimento da sua política cultural. Não há cultura sem públicos.

Ficando claro que Serralves tem no SEC um Amigo – que até homicídios já fez nos seus jardins – ficou também entendido que não será menos exigente. Está disponível para ajudar e pedirá que o ajudem. Não será assim com todos ?

Estão neste momento em Serralves duas mostras muito importantes “Thomas Struth: fotografias 1978-2010” e “Outra vez não”.

A mostra de Struth foi comissariada por James Lingwood um dos nomes mais importantes da cena contemporânea mundial. Fundador de ArtAngel, Lingwood é um grande conhecedor de Portugal, faz parte do Conselho Internacional de Serralves e colaborou em coproduções da Ellipse. A participação de Serralves nesta coprodução coloca-a em parceria com nomes do mais alto prestígio no mundo da Arte Contemporânea: Kunstsammlung de Dusseldorf, Kunsthaus de Zurique e a WhiteChapel de Londres.

Trata-se de uma produção de grande escala, porventura, uma das mais importantes deste grande fotógrafo mundialmente consagrado.

A outra mostra a não perder é “Outra vez não”, de Eduardo Batarda, uma mostra comissariada por João Fernandes e João Pinharanda.

Mostrar Batarda ao lado de Struth foi, a meu ver, uma proposta temerária. O grande teste para um Artista é ser cotejado quase lado com outro Artista. Tratando-se de Struth – um dos maiores artistas mundiais – poderia ter acontecido que a mostra de Batarda pudesse aparecer como menor.

Felizmente está longe de ser o caso. A mostra de Batarda é extremamente feliz indiciando um Artista claramente subestimado no contexto internacional.

Com sinceridade gostei mesmo mais das cores e humor de Batarda face ao frio racionalismo germânico da escola Becher. Foi com agrado que à saída, falando com uma das funcionárias mais antigas de Serralves ela me referiu, também com grande satisfação, que a inauguração de Batarda tinha sido uma das de maior êxito nos últimos tempos.

 

  1. Antonio Almeida says:

    Dr Joao Rendeiro

    Muito boas noticias que nos transmite.

    Tambem ontem quinta feira, dia 15 de dezembro, teve lugar na SEDES uma conferencia presidida pelo presidente Dr Luis Campos e Cunha com o SEC Francisco Jose Viegas, sala cheia a demonstrar o interesse pelo desenvolvimento da Cultura neste pais.

    O SEC nao podia ter sido mais explicito, nem as peguntas dos presentes,agentes culturais e artistas, mais definidoras da necessidade de um impulso muito forte nesta Cultura adormecida.

    Vamos ao trabalho porque temos equipa.

    Cumprimentos culturais

Leave a Reply