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A Banca Zombie

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Num outro post que partilhei vindo do Finantial Times mostra-se uma realidade aparentemente aberrante: os bancos europeus financiaram-se no BCE em quase €500 BN nos LTRO a três anos e simultaneamente depositaram no próprio BCE a uma taxa mais baixa praticamente o mesmo montante.

Por outras palavras o objetivo explícito do BCE na criação desta linha LTRO a três anos, a saber dar liquidez aos bancos para financiar as empresas, não está a funcionar. Os bancos estão a aproveitar todas as facilidades abertas pelo BCE para “endireitar” os seus balanços, nomeadamente em matéria de liquidez.

Assim sendo, os bancos não estão a cumprir a sua função na economia. Em termos básicos os bancos recolhem poupanças e com elas e outros fundos das autoridades monetárias (vindos direta ou indiretamente por outras instituições) dão crédito à economia. É através deste multiplicador de crédito que as empresas se financiam e a economia cresce.

Se em vez de utilizarem esses fundos para dar crédito, os depositam no BCE, os bancos decididamente estão a defender o seu balanço e a economia, passe a expressão, que se “lixe”.

É o resultado normal do modelo de recapitalização dos bancos que predomina na Europa. Enquanto nos EUA os bancos foram forçados a aumentar o capital aceleradamente e em força à custa dos acionistas (diga-se como seria normal); na Europa os interesses predominantes levaram a um modelo distinto, os aumentos de capital são dilatados no tempo e utilizam-se todo o tipo de ajudas públicas – a começar pelo BCE, para estabilizar os bancos.

A resposta dos gestores bancários, completamente racional, é gerir o balanço, desalavancar reduzindo o crédito à economia e aumentando capital quando indispensável. No tempo. E quanto tempo.

Um exemplo extremo desta situação foi o resultado final do modelo de recapitalização em Portugal. Os bancos terão cinco anos para aumentar o seu capital e entretanto terão capital público praticamente ilimitado remunerado como se fosse um empréstimo. Caso para dizer, assim também eu.

Em vez de bancos que servem a economia teremos bancos que “flutuam” na economia incapazes de serem os agentes necessários do crescimento económico.

Bem-vindos à era da banca zombie.

 

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