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Carlos Tavares Monkey Business

1 comment

Chegado há pouco de uma longa viagem de trabalho confrontei-me com alguns recortes de imprensa. Um dizia que a SAD do Benfica tinha sido absolvida em tribunal da multa de €25000 que a CMVM lhe tinha aplicado. Outro recorte dizia que o processo da CMVM contra os ex-Administradores do BCP sujeitos a coimas milionárias estaria em risco de ser anulado fruto de um erro técnico da investigação.

Ambos os recortes trazem à colação um longo historial do que se poderia designar de disfunção cognitiva na CMVM.

Por um lado há um trabalho de marketing muito competente onde segundo as boas regras da imprensa portuguesa se “grita muito alto”. Assim, periodicamente lá aparecem enormes parangonas sobre a enorme e insana atividade da organização. Evidentemente poucos notam que se noticia a mesma coisa várias vezes como de cada vez fosse algo de novo e diferente.

Mas o que importa? Ocupa-se espaço de media e trabalha-se a imagem. Se um Governo que se preze inaugura a mesma coisa várias vezes porque não haveria a CMVM de noticiar o mesmo fenómeno em múltiplas ocasiões com uns bons meses de intervalo?

O problema é que, por outro lado, a enorme fanfarra corresponde a resultados muito parcos. A CMVM anuncia, por exemplo, coimas como se fossem definitivas e transitadas em julgado mas na verdade uma esmagadora maioria acaba anulada – como a da SAD do Benfica – ou altamente reduzida.

Como organização a CMVM é a aristocracia dos funcionários públicos. Cada um ganha em média €65000 por ano e instala-se num dos mais caros edifícios da Avenida da Liberdade Lisboeta onde pagam uns módicos €216000 de renda anual.

Os 180 funcionários da CMVM instauram em média por ano 25 coimas no montante de uns €5,5 milhões, ou seja, são necessários um pouco mais de 7 funcionários para aplicar uma coima que rende uns €30500 por funcionário. Se as coimas aplicadas fossem cobradas – o que está muito longe de ser o caso – mesmo assim cada funcionário da CMVM daria um prejuízo anual de cerca de €35000.

Imagine-se se nos tribunais ou no Ministério Publico fossem necessárias 7 pessoas para avançar cada processo e se cada uma dessas pessoas custasse €65000 por ano e que no final de tudo isto pouco ou nada acontecesse…

Mas o que é ainda mais interessante é que do alto dos seus cerca de €21, 2 milhões de proveitos anuais a CMVM ainda dá lucro. Lucro proveniente das contribuições das entidades que é suposto regular. Uma situação similar às empresas de Rating que recebem dinheiro das entidades a quem atribuem rating e sobre as quais houve generalizada censura quanto aos conflitos de interesse.

Será que alguma vez a CMVM vai por em causa a galinha dos ovos de ouro que lhe paga anualmente €21, 2 milhões?

É por tudo isto que me parece que o ruído mediático da máquina de marketing de Carlos Tavares imagina o país habitado por macacos onde os únicos humanos residem num certo número da Avenida da Liberdade. Estes macacos recebem de tempos a tempos notícia do enorme e complexo trabalho realizado gerador de enormes proventos para o Estado. Alguns macacos mais atentos aplaudem freneticamente o ruído mediático.

Mas num certo dia os macacos viram humanos resultando evidente a consequência final da disfunção cognitiva.

 

  1. Antonio Cardos says:

    Totalmente de acordo!!!!

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