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Bom senso desce ao BCP

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Saiu o Espírito Santo mas desceu finalmente o bom senso ao tão fustigado MilleniumBCP.

Desceu o bom senso mas não terminaram os problemas. Os investidores que têm tomado posições fora do núcleo estratégico estão no meu entendimento a revelar excesso de otimismo.

A radical mudança no governo do BCP que se consagrara na AG de 28 de Fevereiro é o coroar da tomada de poder da Sonangol e desaparecimento do núcleo estratégico político-financeiro que assaltou o BCP a partir da CGD e São Bento. É uma matéria já explicada noutros post a que não vou voltar.

O que é relevante notar é a maestria com que António Monteiro conduziu as suas manobras de tal sorte que se dá uma radical mudança de poder no maior banco do país parecendo que tudo se passa de forma simples e evidente.

Santos Ferreira e seus aliados foram irremediavelmente afastados, os seus homens de maior confiança irremediavelmente despedidos aparecendo em seu lugar gestores profissionais e figuras menos próximas dos socialistas.

Ironia das ironias, que aliás só uma figura com o sentido de humor de Santos Ferreira poderia proporcionar, sucede que o homem que não pode fazer viagens de avião por uma doença de ouvido vá ser eleito Presidente do Conselho Estratégico Internacional. Será que não há viagens de avião num conselho internacional ?

Mas se isto foi o preço da transição indolor, abençoado preço pois quanto a Santos Ferreira já sabíamos que é rolha flutuante “a man for all seasons”.

O BCP vai, assim, finalmente entrar num estado de normalidade e pacificação de acionistas e gestores. Irá efetuar dois importantes aumentos de capital: um reservado a acionistas e o segundo em Loco com dinheiro dos contribuintes. No seu conjunto uma importante diluição dos atuais acionistas que não acompanhem o aumento de capital.

A questão central que se coloca é a de se considerar em que medida estão já refletidas ou não as imparidades previsíveis.

Certamente, foi já realizado um importante esforço, nomeadamente ao nível do fundo de pensões e no provisionamento do crédito. No meu entendimento o provisionamento de crédito ainda necessita de um largo caminho a percorrer mas a questão mais preocupante é na Grécia.

O BCP, Santos Ferreira em particular, sempre apresentou o risco Grécia como sendo apenas o risco soberano, esse sim razoavelmente provisionado. O problema é que o BCP tem um banco na Grécia ao qual prestou garantias de funding muito elevadas, da ordem de muitos milhares de milhão de euro, os quais estão em risco num mais que provável cenário de incumprimento da Grécia.

Muito em breve estas imparidades gregas virão ao de cima o que se refletirá em adicionais necessidades de capital.

Outra matéria que já abordei e que será um travão ao crescimento dos resultados do BCP serão os resultados económicos negativos no crédito à habitação. Durante muitos anos os bancos terão que assumir spread no crédito à habitação claramente insuficientes . Um importante efeito redutor nos seus resultados .

É por tudo isto que os investidores devem estar cautelosos no BCP. Os mais animados deveriam esperar as condições do próximo aumento de capital antes de se comprometerem no título.

 

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