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Inacreditável BPI

4 comments

Li e não quis acreditar. O CaixaBank comprou a posição do Itaú no BPI ficando com uns 48.9% do respetivo capital.

No entanto, segundo Tavares & Ca, a CMVM entende que não é necessária uma OPA pois os direitos de voto estão limitados a 20% e o CaixaBank não vai designar mais Administradores.

Devo confessar que tive necessidade de reler várias vezes a notícia para acreditar, tal a desfaçatez em presença. Então e não é que os carneiros mediáticos não “tugem nem mugem” e acham que está tudo bem e é extraordinário? Onde está o tão rigoroso Nicolau Santos?

Está de facto encontrado o caminho para o controlo sem OPA em Portugal. Basta limitar os Estatutos, dizer que uns senhores se representam a si mesmo e não quem lhes paga ou dá crédito e já está!

O que impede a partir de agora a Sonangol de aumentar para 35 ou 45% a sua posição no BCP sem OPA? Absolutamente nada.

A decisão de Tavares & Ca, sendo uma aberração jurídica e desafiando as mais elementares regras do bom senso e da ética empresarial, é também um precedente gravíssimo com sabores muito amargos no futuro.

Tudo isto Presidido pelo inefável Ulrich que ainda por cima se atreve comentar a situação como acionista do BPI. Como acionista? Mas já pagou o empréstimo com que se tornou acionista e lhe deixava nas últimas contas cerca de € 3 milhões por pagar ao próprio BPI?

Mas alguém, com exceção da CMVM, acredita que Ulrich & Ca na Administração do BPI representa outros interesses que não o CaixaBank? É assim perfeitamente evidente hoje porque é que Ulrich se opôs a que os acionistas vendessem a €7 na OPA do BCP. O CaixaBank tinha já o interesse estratégico no controlo do BPI e daí a denodada luta de Ulrich.

Nada nessa luta que achei honrosa me chocou a não ser o simples facto de dever ser acompanhada de uma OPA também. O CaixaBank deveria na ocasião ter lançado uma OPA alternativa por forma a que os mais de 200.000 acionistas minoritários do BPI pudessem ter a adequada contrapartida.

Mas não. Os acionistas que acreditaram nas palavras de Ulrich e conservaram as suas ações ficaram afinal reduzidos a zero. Já nessa altura a CMVM foi cúmplice num monumental esbulho e agora dá sequência com decisões cada vez mais absurdas.

Não obstante tudo isto é muito positivo que o CaixaBank tenha decidido comprar a posição do ITAU. Dá-se assim uma clarificação no controlo efetivo do BPI que tardava numa altura em que está em cima da mesa o aumento de capital. O CaixaBank é um dos mais sólidos bancos europeus e é muito positiva a sua presença em Portugal.

O inefável Ulrich no entanto, nesta altura do campeonato ainda não sabe se o aumento de capital será de € 1BN ou € 1,4 BN. Uma pequena diferença bem entendido…

Por mim parece-me mais próximo de € 1,4 BN ou seja o dobro do que estimei há um ano atrás e que tanto escândalo causou no carneirismo mediático, Santos Guerreiro à cabeça.

Por outro lado, o movimento do CaixaBank não deixará de ter consequências para a relação acionista com Isabel dos Santos. Parece perfeitamente evidente que a Santoro não mais poderá controlar o BPI perdendo assim a sua agenda estratégica. A implicação óbvia a meu ver é que o BPI irá ter que vender a sua posição acionista no Angolano BFA mais cedo do que mais tarde.

O CaixaBank pagou pouco pelo controlo do BPI mas comprou um presente envenenado. O BPI é um banco que dá prejuízo nas operações domésticas fruto de um completamente inviável rácio cost/income superior a 60 %. Isto mesmo é ilustrado nos resultados do 1º trimestre que seria desastrosamente negativo em € 50 milhões não fora um providencial ganho extraordinário.

No lado estrutural o BPI tem um deficit económico muito grande no crédito imobiliário e uma posição gigantesca na dívida pública portuguesa que ainda dará muitas dores de cabeça.

O BPI é  um banco insolvente para todos os efeitos que só o dinheiro dos contribuintes salvará permitindo a Ulrich continuar a apresentar-se como um dos campeões da Corporate Governance em Portugal.

 

  1. Paulo Santos says:

    Sem dúvida mais uma vergonha para o nosso País e em particular para todos os que têm apostado em acções Portuguesas e no mercado Nacional.

    Esta junta-se às OPAS de saldo da Brisa e Cimpor e às vergonhas da EDP e, sobretudo, da GALP (oferecidos 30% a preço de saldo ao grupo Amorim que agora compra o resto com um claro favorecimento e protecção das leis vigentes).

    Não tinha memória de ver tão poucos ganharem tanto e tantos perderem tanto por acreditarem – erradamente – que a legislação os ajudava e que o regulador/supervisor do mercado ia de alguma forma proteger o pequeno accionista.

  2. joão f. Silva says:

    Caro João Rendeiro

    Não o conhecia tão ingénuo…..
    Inacreditável? Não, é a OPA mais barata do mundo….. a la Caixa só vai ter de pagar um prémio a cerca de 2 mn de acções….as acções detidas pelo CEO.

    A la Caixa compra o BPI com a benção do seu CEO e perdoa-lhe o empréstimo que este tem para com o Banco (empréstimo de € 5 mn para comprar 2 mn de acções)…. ou seja tem que pagar € 2,5 por acção mas só sobre 2 mn de acções….e viva o Corporate Governance do Banco BPI!

  3. Pedro Lisboa says:

    O BPI é um “case study” de um banco que se afundou quando um irresponsável que dá pelo nome de Ulrich, foi para administrador e tomou decisões estratégicas erradas ano após ano, até ter levado o banco à insolvência e necessitar de 1.400 milhões dos contribuintes para manter o banco a funcionar.
    Pior que o BPI, só o filme de TERROR do BCP que vai necessitar de pelo menos 2.000 milhões dos contribuintes.

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