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A Concertação no crédito à habitação

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Quando 18 Juízes e 25 Procuradores acompanhados da PSP entraram em todos os bancos comerciais na passada semana, alguns quadros de Direção presentes na altura surpreenderam-se com a precisão das buscas. Os executivos e os departamentos estavam identificados com grande precisão como se um “mapa da mina” tivesse sido desenhado.

Não obstante, a primeira reação das Administrações – paradigma Fernando Ulrich – e da APB foi o de minimizar as buscas. Todos os bancos eram exemplo de pureza angelical ancorados na noção de que um processo de concertação é muito difícil de provar. Pois se a ADC não tinha conseguido provar concertação no caso das gasolineiras como conseguiria entrar num caso tão opaco como o do crédito – nomeadamente à habitação?

A contenção de danos passou rapidamente ao estado de choque. Uma fonte da Alta Direção da ADC informou o DE que afinal havia um banco denunciante, o Barclays, e de repente ficou claro que o assunto seria muito mais grave do que as iniciais reações dos responsáveis levariam a supor. Com um denunciante a bordo a prova porventura estará feita à partida.

O crédito à habitação é o principal negócio da banca comercial com milhões de portugueses como clientes. É um tema com forte impacto no balanço e também no bolso desses portugueses colocando o tema como altamente sensível – política e mediaticamente. O potencial para populismos mediáticos é gigantesco.

Duas questões se colocam a meu ver neste tema. A multa da contraordenação  por um lado – que pode ser muito significativa, mas mais importante a gestão futura desta área de negócio.

O crédito à habitação, sem que se tenha grande consciência da gravidade da situação, é um dos problemas económicos mais sérios em Portugal. Bancos deram crédito demasiado barato (em preço e garantia) a clientes que compraram casa demasiado cara e representando esforço excessivo para os seus orçamentos familiares.

O Governador do BdP Carlos Costa estimou recentemente,  numa reunião à porta fechada, que o Gap económico negativo no balanço dos bancos no crédito à habitação seria da ordem dos € 20 mil milhões. Por outras palavras, os spread embutidos nos atuais contratos a 20 e 30 anos são tão baixos- esforço excessivo pard embutidos nos atuais contratos a 20 e 30 anos siado cara e representando esforço excessivo paros que implicam essa tal gigantesca perca económica.

Isto significa duas coisas: no passado o crédito à habitação era um segmento bancário altamente competitivo, tão competitivo que levou ao esmagamento irracional dos spread – base desse tal Gap económico; mas recentemente – nos últimos 2 a 3 anos – a própria consciência da gravidade do problema terá levado os bancos por caminhos mais complicados.

As investigações em curso irão tornar impossível o movimento que estava em evolução no sentido da correção “cooperativa” do Gap económico. Vai ser muito mais difícil – senão impossível – a implementação de medidas de melhoria das margens sendo mesmo possível algum retrocesso a favor do populismo.

Em resumo, uma péssima notícia para os bancos comerciais e para os seus preços em Bolsa.

 

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