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Os bónus dos gestores e a crise de 2008 (2)

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Um dos aspectos centrais da crise de 2008, como já tenho comentado, foi a importância dos sistemas de remuneração dos gestores e a indução a uma excessiva tomada de risco a eles associada. Simon Johnson, é um autor um pouco enviesado no sentido de enfatizar a importância das remunerações mas vale a pena ponderar a sua argumentação “What did Bank CEOs know and when did they know it?”

  1. O sistema de incentivos estava obviamente mal desenhado e continua a ser um tema que tarda em ser alvo de intervenção por parte das entidades de regulação e supervisão.
    É um dos mais importantes elementos para aferir a cultura reinante na indústria. Verifica-se que nada mudou desde que a crise rebentou.
    É aliás obsceno assistir aos níveis actuais de bónus distribuídos pelas principais instituições financeiras, numa altura em que o mérito individual está nos níveis mais baixos das últimas décadas, se atendermos especialmente aos seguintes factos:
    – essas instituições beneficiaram directa e/ou indirectamente nos 2 últimos anos do suporte governamental que foi determinante para a sua sobrevivência e rentabilidade (ganhar dinheiro qdo se acede a funding a custo zero e se pode ser aplicar de forma alavancada (20x) a taxas mais altas não é propriamente razão para ganhar milhões de Euros de bónus)
    – condições concorrências que já não se viam há várias décadas (com a falência de algumas instituições as que ficaram ganharam duplamente: aumentaram quota de mercado e subiram as margens).

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