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95% dos clientes do retorno absoluto do BPP recuperam capital

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(Jornal de Negócios 2 Out 2015)

O fundo criado para permitir a recuperação de capital dos clientes do Banco Privado Português já tem data de fecho: a liquidação inicia-se em Abril de 2016, conforme decidido em assembleia esta quarta-feira.  (Jornal de Negócios 2 Out 2015)

 

BANCA

95% dos clientes do retorno absoluto do BPP recuperam capital

02 Outubro 2015, 00:01 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt

 

O fundo criado para permitir a recuperação de capital dos clientes do Banco Privado Português já tem data de fecho: a liquidação inicia-se em Abril de 2016, conforme decidido em assembleia esta quarta-feira.

A quase totalidade dos clientes que comprou no Banco Privado Português o produto conhecido por “retorno absoluto” vai conseguir recuperar o capital inicialmente investido, disse Jaime Antunes ao Negócios.

O presidente da mesa de participantes do chamado “mega fundo” defendeu que serão mais de 95% os clientes do BPP que irão voltar a dispor do dinheiro que investiram naqueles produtos, que, aquando da comercialização, contribuíram para a queda do banco fundado por João Rendeiro.

Há excepções no “retorno absoluto”, admite Jaime Antunes, nomeadamente alguns clientes com “aplicações maiores” e em que só havia um titular. Nestes casos, haverá  perdas “muito limitadas”, diz, adiantando que deverão ser inferiores às registadas por outros investimentos, como a Privado Financeiras ou nos “private equity”, em que em alguns a perda do capital investido é total.

A recuperação para os clientes do “retorno absoluto” – produtos que terão sido vendidos como depósitos – vai ser possível durante o que resta do período de vida do fundo especial, gerido pela Banif Gestão de Activos, onde estão os seus titulares.

“Será extinto a 1 de Abril de 2016”, anunciou Jaime Antunes. Até lá, podem ser vendidos os activos que estão cotados a um preço superior àquele a que foram adquiridos. Na quarta-feira, 30 de Setembro, realizou-se uma assembleia dos participantes em que 87% dos presentes não acordaram o prolongamento da vida do fundo, pelo que só estará a funcionar até Março.

A criação do fundo, em Março de 2010, teve como objectivo a concretização de uma solução para os investidores sem o pagamento imediato, já que a meta era uma valorização dos activos no médio prazo, permitindo a devolução por remunerações aos clientes, com amortizações parciais. O pagamento seria concluído “sob a forma de resgates ou o produto da liquidação do fundo”.

No final do primeiro semestre deste ano contabilizavam-se 359 milhões de euros em activos no fundo, de acordo com o relatório publicado pelo Banif. O fundo foi criado em Março de 2010 para permitir uma valorização dos produtos vendidos pelo BPP e BPP Cayman aos seus clientes em que, “nuns casos, foi acordada a garantia do capital investido e, noutros casos, a garantia desse capital acrescido de uma determinada remuneração”.

O uso do Fundo de Garantia de Depósitos e do Sistema de Indemnização aos Investidores também fez parte da solução acordada para os clientes do BPP, que fizeram vários protestos na altura em busca do seu reembolso. Em 2008, a crise financeira levou o BPP a pedir ajuda ao Estado para conseguir sobreviver. Não conseguiu. Continuam a decorrer inúmeros processos em tribunal sobre o BPP.

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