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RICARDO COSTA E O PODER DA IGNORÂNCIA

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Um dos “monsieur sait tout“ do regime, Ricardo Costa, opina sobre tudo e o seu contrário. Agora mostrou a sua jactante ignorância armado em cultivado contemporâneo. Pensa que basta juntar “com cuspe“ algumas meias verdades para fazer boa figura.

Não faz.

Pelo menos não faz junto de quem entende um mínimo sobre as matérias.

Isto a propósito do que escreveu no EXPRESSO, e me ofereceram para ler, titulado “Os verdadeiros Artistas“ sendo eu e Joe Berardo estes tais verdadeiros artistas.

Já vai o tempo em que na linguagem comum se designavam de “artistas“ os que por qualquer sorte articulavam a razão e logravam o que outros não alcançavam por meios naturais. Apelidar alguém de “artista“ tinha uma conotação negativa desvalorizando o trabalho de quem verdadeiramente se dedica à arte, à criação artística.

E à medida que os trabalhadores da arte, os artistas, se foram afirmando progressivamente com um trabalho estruturante na sociedade – até em termos económicos, designar alguém de “artista “ passou a ter conotação positiva e não negativa. Os artistas têm um trabalho intemporal e sobrevivem à morte do Autor, os “artistas“ de Ricardo Costa esgotam-se no seu brilhantismo estéril ou seja morrem no ato.

Que venha agora Ricardo Costa fazer, de novo, trocadilho com esta palavra – na verdade ofendendo os artistas, só vem salientar o seu pacóvio nível cultural.

Defende depois Ricardo Costa um arrazoado completamente desconexo mas, no essencial, como se o Estado tivesse alguns direitos sobre a Coleção Berardo ou sobre a Coleção Ellipse. Não tem. Absolutamente não tem .

A Coleção Berardo (no seu núcleo central) foi adquirida por Francisco Capelo, com dinheiros de Berardo, largos anos antes dos créditos iniciados em 2006 para compra das ações BCP. Não argumento sequer se esses dinheiros (que financiaram a compra desses quadros) eram bons, maus ou péssimos. Mas o que resulta evidente é que não foi com o credito desses bancos que a Coleção Berardo foi constituída.

Que Berardo tenha dado depois a Coleção em colateral para os créditos BCP significa apenas que lançou “dinheiro bom, atrás de dinheiro mau“ e daí o seu desespero perante o péssimo aconselhamento jurídico que André Luiz Gomes lhe deu. Berardo vai perder o património que criou numa vida por conta de um projeto politico-financeiro para que foi aliciado e que necessariamente (para grande susto de alguns) vai ter que explicar. Claro que tem que pagar os créditos mas eles não financiaram a compra da Coleção.

A atual teoria dominante sobre o assalto ao BCP centrada na sociopatia de Sócrates é claramente insuficiente. Conhecem-se as fortes ligações de Carlos Santos Ferreira a António Guterres, Mario Soares conhecia toda a manobra e Vitor Constâncio embora almoçasse varias vezes com Berardo na Bacalhoa estava longe de ser uma marioneta de Sócrates. Em resumo, a tramoia politico-financeira em que Berardo se deixou envolver, ultrapassa – e muito – José Sócrates

Quem tem coragem para contar toda esta historia ?

Ricardo Costa – se lhe sobrasse uma iota de jornalista, poderia investigar estas questões e, evitando gracinhas baratas, fazer justiça a Berardo.

Por portas e travessas e sem fazer absolutamente nada, vai cair no colo do Estado uma Coleção de arte Moderna que é vista todos os anos (sem pandemia) por cerca de um milhão de pessoas incluindo dezenas de milhar de turistas. Mas, para mal dos Ricardo Costa desta vida, mesmo sendo do Estado terá para sempre o imprimatur de Berardo.

Depois, Ricardo Costa faz-se conhecedor da Coleção Ellipse, projeto que montei com a ajuda de conhecidos curadores.

Ricardo Costa, qual Mario Castrim, aprecia a Coleção sem nunca a ter visto.

Mesmo eu que conheço em detalhe o catalogo da Coleção Ellipse nunca a vi exposta no seu todo, nas reais interligações dos artistas e na sua interação com os públicos. É por isso que Ricardo Costa dizer que a Coleção Ellipse é boa, má ou péssima (neste caso até diz que é boa) não faz qualquer sentido .

Assim como não faz qualquer sentido que me faça dono da Ellipse e que eu tenha construído mecanismos jurídicos para proteger a Ellipse no quadro do meu património.

Se Ricardo Costa fizesse o seu trabalho de jornalista teria constatado que há anos que o arresto judicial sobre a Coleção foi arquivado pelo Ministério Publico podendo a mesma ser vendida a qualquer momento nada tendo a ver com o meu património.

No despacho de arquivamento poderá mesmo constatar a perplexidade do Ministério Publico por o Ministério Publico (sim, o mesmo) ter arrestado a Coleção. Não obstante, comentadores como Pedro Santos Guerreiro continuam a dizer as maiores alarvidades sobre esta matéria.

Ricardo Costa, em nome do tal interesse publico que diz defender, poderia perguntar aos três reformados do Banco de Portugal a gozar a sua milionária pós-reforma e que agora são responsáveis pela Ellipse, porque não a apresentam ao publico. Porque na verdade desde que o “artista“ João Rendeiro deixou de “criar“ ficaram todos a ver a Ellipse por um canudo.

Há muito que tenho como certo que as Coleções Berardo e Ellipse, pela sua complementaridade, serão exibidas num Museu Nacional de arte Contemporanea – Centro Cultural de Belém. Não sei quantos anos isto vai demorar – em Portugal, muitos – mas sei que as obras dos artistas que compõem estas coleções são intemporais assim como será intemporal a contribuição de Berardo e Rendeiro na sua agregação .

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