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FRANCISCO PINTO BALSEMÃO

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Quando foi tropa Francisco teve um episódio que marcou a opinião dos mais próximos
sobre o seu carácter. Um grupo de milicianos (onde Francisco se incluía) tinha
resolvido fazer um “levantamento de rancho” como revolta às prepotências que o
então todo-poderoso (e protofascista) General Kaulza de Arriaga fazia aos seus
indefesos subordinados. Passado pouco tempo o “levantamento de rancho” estava
resolvido e Francisco Balsemão transformado em “ajudante de campo” de Kaulza de
Arriaga. Francisco tinha alavancado a luta dos seus camarada em proveito próprio.
Na recente entrevista a Fátima Campos Ferreira, o mesmo utilitarismo se verifica
com inacreditável crueza. Durante dezenas de anos Francisco alavancou a sua
suposta relação de infância com o Rei Juan Carlos para ter acesso ao mais alto nível na
sociedade espanhola. Perguntado sobre se considerava visitá-lo no seu exilio de Abu-
Dhabi, respondeu com um rotundo “não” e uma linguagem corporal como se Juan
Carlos tivesse lepra.

O LEGADO MEDIA
Francisco Pinto Balsemão foi alegadamente o herdeiro único (o que teria a dizer
sobre isso o seu primo Baltazar … ?) de uma família muito rica com ramificações na
nobreza portuguesa. O seu património herdado está centrado nas entidades “Sociedade F.P.B. SGPS Lda.” , “ Sociedade Turística da Carrapateira Lda.” e “ Estrelícia
– Investimentos Imobiliários , Unipessoal , Lda”.
Deste património herdado, cerca de € 20 milhões foram investidos como suprimentos
na “BALSEGER SGPS SA”, holding que controla 51 % da “IMPREGER SGPS SA” que por sua vez controla 51 % da conhecida “IMPRESA SGPS SA “.
Ou seja na realidade económica, Balsemão patrão dos media, apenas controla 25 %
do grupo de media que dizem controlar. O seu controlo só é efetivo, em termos
jurídicos, pela cascata de holdings que o seu (outrora ) amigo Ricardo Salgado lhe
ensinou a fazer.
Não obstante ter apenas 25 % de controlo económico da IMPRESA, Francisco gere a
sociedade como se fosse dono a 100 %, empregando a família como bem entende
numa pura lógica de gestão familiar. As contas da IMPRESA indicam que mais de um
milhão de euros por ano fluem, como custos fiscais, a sua família.
A IMPRESA, dona da SIC e do EXPRESSO, é uma sociedade, em contabilidade,
tecnicamente falida. A IMPRESA vale em Bolsa cerca de € 40 milhões (por
comparação, a TVI foi comprada pelo grupo de Mário Ferreira por € 40 milhões) mas
no Balanço vale € 268, 6 milhões por efeitos do “goodwill”. A IMPRESA teria que
fazer uma imparidade de cerca de € 220 milhões no seu balanço, o que afogaria os
cerca de € 115 milhões de capital da sociedade.
Os investidores que acreditaram em Balsemão têm sido chuladíssimos perdendo o seu
capital ao longo dos anos. Por exemplo, os que compraram os 23 % da ONGOING em
2010 por € 50 M poderiam passados onze anos comprar por menos a totalidade do
capital.
A IMPRESA é uma história de horror no mercado de capitais em Portugal onde
Balsemão nunca criou valor para os acionistas.

O LEGADO POLíTICO
A Berlusciana simbiose mediaticopolitica de Francisco é marcada por três fatores: a
luta pela democracia, antes e após o 25 de Abril; a reação à morte de Francisco Sá
Carneiro e o “wokismo” da política editorial da IMPRESA favorecendo o PS.

É de elementar justiça dizer que Balsemão (como muitos outros) lutou pela
democracia em Portugal. No verão quente de 75 o EXPRESSO e Balsemão foram
bastião da luta pela democracia levando à vitória do 25 de Novembro.
As sequelas da morte de Sá Carneiro, por outro lado, são uma enorme mancha negra
no CV de Francisco. Defende Alexandre Patrício Gouveia que Balsemão dificultou,
vulgo obstruiu, a investigação sobre tal assassínio. Porquê?
O primeiro-ministro António Costa promoveu uma homenagem a Balsemão. Na
realidade, não me surpreende que os socialistas homenageiem o militante numero
um do PSD. A SIC e o EXPRESSO são os maiores amigos do PS e da promoção do “wokismo” em Portugal, como o branqueamento de Francisco Louçã demonstra.

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