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A solvência de Ulrich

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O BPI continua a fornecer bizarros exemplos de Governance. Vejamos o exemplo das acções BPI propriedade de Fernando Ulrich detalhadas no mapa anexo.

O primeiro ponto diz respeito ao facto do BPI financiar a compra das acções de Fernando Ulrich. Como se sabe, o Banco de Portugal deu instruções aos bancos para não financiarem a compra de acções próprias. A razão é óbvia pois se trataria de uma “pescadinha de rabo na boca”. No limite, um banco poderia financiar a totalidade do seu capital e vimos os maus resultados que isso deu no caso BCP. Por isso as acções de um banco financiadas pela instituição abatem aos  seus fundos próprios. Presumo que estas acções do BPI detidas por Ulrich abatam aos fundos próprios obviamente com impacto marginal.

Sendo assim pergunta-se: porque é que Ulrich não negociou com um outro banco uma linha de crédito para comprar as suas acções do BPI? Não seria isto muito mais transparente e exemplo de bom Governo?

As condições standard que vigorariam antes da crise (quando foram contraídos os empréstimos) seria um spread de 1% e um rácio de cobertura sobre activos com liquidez de 133%.

Isto significaria que Ulrich, se fosse considerado  um bom risco, normalmente, teria que ter activos de cerca de € 6,25 milhões para suportar o seu crédito de cerca de € 4,7 milhões.

Sucede que as 1 901 983 acções do BPI que Ulrich detém há muito se afastarem de qualquer ratio razoável de colateral. Ao preço actual de €0,78 por acção este activo vale €1,483 milhões ou seja uns míseros 31.5% do valor da
dívida.

Qualquer cliente do BPI há muito estaria confrontado com uma de duas hipóteses: ou reforçava as garantias por forma a manter o ratio de colateral nos 133%; ou o BPI procederia à venda das acções para proteger o seu crédito.

Os relatórios do BPI não têm uma linha sobre o reforço de garantias nestes créditos a Ulrich e seria transparente que o esclarecessem. O BPI, por sua vez, também não procedeu a qualquer venda dessas acções.

Na, muito provável, ausência de um reforço de garantias, pergunta-se com que “cara” poderá o BPI solicitar ao “Sr. José” que o faça? Como é possível que o Instituto Português de Corporate Governance, presidido por Pedro Rebelo de Sousa, não aborde este tema? Pasme-se, isto não é matéria relevante para o Angelical Tavares?

Tudo visto e somado o que importa é “gritar mais alto do que os outros”. Quando se tem uma questão qualquer em casa clamar pelos problemas das casas dos outros pois, assim, a atenção será desviada. Até quando?

 

 

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